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TV digital ainda gera dúvidas em Santa Cruz

TECNOLOGIA — Transmissões já foram iniciadas na Grande São Paulo no início do mês; migração definitiva para o novo sistema pode levar mais de dez anos


O técnico Valdecy Arques, de Santa Cruz, no laboratório da Linear verifica a transmissão digital
Um sinal de qualidade e sem chuviscos. Essa é a principal inovação da TV digital em relação à analógica, comum hoje na maior parte das residências do país. As transmissões digitais já começaram na Grande São Paulo no último dia 2 de dezembro. Mas, apesar das expectativas, a maior parte dos brasileiros tem dúvidas em relação ao novo sistema, principalmente sobre as medidas a serem tomadas para receber o novo sinal. Em Santa Cruz do Rio Pardo, por exemplo, a venda de televisores não diminuiu e a população espera benefícios com o sistema em implantação no país.
Para ter a melhoria e não dispor do antigo televisor, entretanto, é necessário ter uma antena UHF e adquirir o receptor ou “caixinha conversora”, que hoje custa entre R$ 499 e R$ 1.099. O valor é elevado se comparado à expectativa do governo, que era oferecê-los a R$ 250. O dispositivo decodifica os sinais digitais, transformando-os em analógicos. Novos aparelhos de TV permitem a entrada do sinal digital.
De acordo com o técnico em eletrônica Valdecy Arques, da Eletrônica Tupi, vai demorar para o Brasil ingressar definitivamente no sistema digital. Ele participou de uma palestra sobre o assunto em outubro, em Santa Rita do Sapucaí-MG, na fábrica da Linear Equipamentos Eletrônicos S.A., a maior fabricante de transmissores de TV da América Latina. “Não vai ser tão fácil vir para nós a tecnologia digital”, avalia.
Segundo o técnico, será difícil ter o canal digital simultaneamente ao analógico. “Será preciso haver o ‘apagão analógico’. Ou tudo digital ou tudo analógico. A fábrica de transmissores analógicos está a todo vapor ainda e nem quem participa dos cursos sabe realmente o que vai acontecer”, conta.

O gerente Uriel Rodrigues afirmou que procura por TV LCD aumentou

“A TV digital vai compactar os canais transmitidos. Multiplica a possibilidade. Dentro de um mesmo canal, com 6 megahertz se pode transmitir até 13 canais, dependendo do sistema. A qualidade da imagem é fantástica. Numa TV analógica, há 525 linhas de resolução. Na digital são 1.080 linhas, são imagens mais puras, é compactado”, explica.
Questionado sobre a interatividade, discutida e esperada com a chegada da TV digital, Arques afirma ser precoce fazer essa avaliação. “Por enquanto não conseguimos nem transmitir o sinal. Esse é outro passo ainda. Nem temos a imagem e já pensam em interatividade. A transição será em torno de dez anos, pelo que foi discutido na palestra”, disse.

Recursos — O comerciante José Carlos Montagna considera que o novo sistema trará grandes avanços. “A vantagem está na qualidade da imagem e na possibilidade de você poder interagir e participar de programas com o controle remoto. Você terá várias opções, com mais canais”, avalia. Entretanto, na visão de Montagna, o santa-cruzense terá que esperar para usufruir do benefício. “É uma grande novidade que virá com o tempo. Aqui deve demorar muito porque depende de investimentos na torre de transmissão e recepção. Mas é fantástico. É uma mudança da água para o vinho”, comparou.

Crescimento — O gerente da unidade das Lojas Cem de Santa Cruz, Uriel Rodrigues, disse que houve expressivo aumento nas vendas de televisores LCD, que já possuem o sistema HDTV, com entrada para o sinal digital. “As vendas estão ótimas, com o aumento desses aparelhos. A procura está grande e os preços também reduziram. Teve uma queda fantástica de preços”, conta.
De acordo com Rodrigues, a procura pelos aparelhos de TV comuns não diminuiu. “Não houve queda. O conversor vai ficar mais barato daqui a alguns anos”, prevê o gerente, sobre a adaptação para o sistema digital.