• Cidade
Novo estatuto pode acabar sendo discutido na Justiça

IMPASSE — Nova lei mudou regras da contagem de pontos para atribuição e professores foram prejudicados

Professoras assistem sessão da Câmara em que foi aprovado o Estatuto do Magistério sem nenhuma emenda
Aprovado no último dia 10 pela Câmara Municipal, o novo Estatuto do Magistério elaborado pela administração já está gerando polêmica. Apenas Rui Reis (PV) e José Basílio Romano (PHS) votaram contra, por acreditarem que o texto estava beneficiando alguns em detrimento de outros. No entanto, a lei foi aprovada sem emendas e os primeiros problemas estão aparecendo.
Alguns professores estão se sentindo lesados com as novas regras de contagem de pontos para as atribuições de aulas. Como eles têm direito adquirido, pretendem entrar com mandato de segurança caso os pontos acumulados em 2007 não sejam considerados.
O advogado Marcelo Picinin contou que foi procurado por sete professores que entendem que foram prejudicados pela nova lei. “Algumas estavam em terceiro na lista de atribuição de aulas e agora foram parar no sétimo ou até nono lugar. O novo estatuto muda a contagem de pontos, que é um direito adquirido dos professores”, alega.
Picinin elaborou um requerimento para a secretária de Educação, Renata Bozzo, mas ainda não soube se foi indeferido. A atribuição de aula que seria realizada no último dia 20 foi alterada para o dia 27. Picinin explicou que nesse intervalo o IBAM (Instituto Brasileiro de Administração Municipal) — que elaborou o texto do estatuto — vai dar um parecer sobre a possibilidade de alteração para que essas profissionais não sejam prejudicadas.
“Uma nova lei não pode prejudicar um direito adquirido. Tenho o entendimento de que elas não podem ser prejudicadas, pois deram aula em 2007 para valer os pontos para o ano letivo de 2008. Elas querem que seja respeitada a contagem de pontos anterior na atribuição de aulas. No caso de não serem respeitados os pontos conquistados, os professores têm intenção de entrar com um mandato de segurança”, revela.
O advogado também reclamou que a Câmara poderia ter evitado esses problemas se estivessem estudado melhor o texto do estatuto. “Eles aprovaram sem nenhuma emenda. Era possível ter alterado isso. Com o estatuto novo está sendo mais valorizado o professor que tem cursos em detrimento daquele que dá aula todo dia”, relata.
Na sessão do dia 10, os vereadores sabiam que nova lei iria mudar o sistema de pontuação para atribuição de aulas, que alguns professores seriam prejudicados e muitos deles já estudavam recorrer à Justiça. Na ocasião o vereador José Basílio Romano pediu adiamento da votação, mas foi voto vencido. No mesmo dia, Edvaldo Godoy (DEM) admitiu que o projeto era polêmico e aconselhou às professoras que se sentissem prejudicadas procurarem seus advogados. Leandro Mendonça teve a mesma opinião: “Se alguém for prejudicado, que procure a Justiça, não a Câmara”.