Marcelo Picinin

O colunista Marcelo Picinin está em férias. Leia a coluna anterior.

Terceira via de mão dupla

ARTIGO



Marcelo Picinin

Da Equipe de Colaboradores

A casa do Papai Noel está linda, o comércio está ativo e a oposição desarticulada. A provável desistência do candidato “vô-num-vô” coroou este que talvez seja o melhor Natal do imperador. De tanto ter ouvido o monarca gabar-se de pagar antecipadamente o salário dos servidores, talvez o Bom Velhinho também tenha entrado no clima e mandado ao suserano-mor um presente temporão: a possibilidade de dar continuidade à sua “obra” através de um(a) marionete.
Não há dúvidas de que as eleições vindouras terão como principal personagem o monarca, sobre o qual serão centralizados os confrontos entre seus adversários (e inimigos) e seus fiéis seguidores (e dependentes financeiros). O legado da monarquia — para o bem e para o mal — tomará o palco da sucessão. Resta saber quem serão os duelistas.
Do Lado Negro da Força, nosso Darth Vader azul-amarelo busca emplacar o nome de sua segunda-em-comando, nem que para isso tenha de escalá-la até para puxar reza em vestiário de futebol. Já pelos lados da oposição (que anda mais perdida que peido em bombacha), qualquer um que saiba soletrar seu nome já se acha gabaritado para ser candidato. Por aí já se vê que, de parte a parte, vão mal as perspectivas para a castigada terrinha.
Mas eis que no turbulento horizonte eleitoral surge uma terceira candidatura, que não é situação nem oposição (muito pelo contrário), na qual já se espetou a perigosa alcunha de “terceira via”. Ainda na moita — por lei — e na muda — por instinto de sobrevivência —, tal candidatura vai ao encontro de muitos interesses, principalmente daqueles que nele vêem o fim do acirrado antagonismo que se instalou desde que o imperador fez-se soberano.
Como ninguém ganha eleição ficando em cima do muro, o “terceiro elemento” precisa decidir se sua arriscada jornada (do ponto de vista político) no revoltoso mar politíco-eleitoral irá preferir o vento de parte da oposição órfã ou a correnteza de setores da realeza ávidos pela manutenção do poder. Como fará isso, só sua destreza como marujo dirá.
Sendo o ceticismo o estandarte desta coluna, não será surpresa se a segunda opção tornar-se realidade, ainda que a sub seja tirada do vestiário e mandada à linha de escanteio (corroborando sua cega devoção à causa), tudo sob as sacrossantas bênçãos do imperador, o grande eleitor de 2009.

Descanso
O signatário deste espaço comunica as fiéis leitoras que estará de férias nas próximas semanas. Sem remuneração, claro.

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Relógio da liberdade
— Espera-se que, após os 381 dias que faltam para o velório da monarquia, o dinheiro público, invariavelmente tratado como capim, não sirva de pasto para os bodes.