• Região
Produtores de cana temem por futuro da Agrest

REGIÃO — Usina de Espírito Santo do Turvo pode ser incluída na massa falida do grupo Petroforte; fornecedores de cana se uniram para evitar paralisação


Produtores de cana se reuniram para formar associação e ajudar usina
Preocupados com a possibilidade da Usina Agrest ser arrolada na falência da Petroforte (grupo que comandava a antiga Usina Sobar), produtores e arrendatários de cana se uniram na última semana para discutir ações para tentar sensibilizar a Justiça do risco social que pode provocar a falência da usina. O grupo também deseja criar uma associação de pequenos, médios e grandes produtores para ter força nas negociações de venda de cana e outros produtos agrícolas.
O encontro foi no Hotel Tale, na noite de sexta-feira, e contou com mais de 10 produtores. A primeira reunião do grupo acabou sendo focada no problema atual da Agrest. A usina pode ser incluída na massa falida da Petrofort, de Ari Natalino, o ex-controlador que responde a processos criminais.
Os produtores temem que a produção de álcool paralise se a Justiça aceitar o pedido de falência. O problema acarretaria grave problema sócio-econômico na região.
O produtor Antonio Roberto Freitas Ferreira salientou na reunião que os produtores devem se unir para evitar que a usina seja fechada. “Não podemos deixar a Agrest ser arrolada na falência. Precisamos fazer um manifesto para mostrar aos desembargadores do Tribunal de Justiça que muitas pessoas dependem da usina”, argumenta.
Ferreira possui 200 hectares de cana em Espírito Santo do Turvo, a sete quilômetros da usina. Ele explicou que o processo está em fase de decisão no Tribunal de Justiça. “São três desembargadores para votar. O relator já votou contra os interesses da Agrest, envolvendo a empresa na massa falida da Petroforte. Após o voto do relator, os outros desembargadores pediram vistas no processo”, relata.
O produtor admite que não há como saber o que irá ocorrer se a usina se incorporar à massa falida. “O que imaginamos é que, se isso ocorrer, a usina corre o risco de parar. Mesmo que seja temporariamente, será problemático, pois agora estamos em época de colheita. Se houver atrasos, corremos o risco de nossa cana não ser colhida”, alerta.
Ferreira lembrou que o intuito da reunião é dar o primeiro passo para uma possível associação de fornecedores de cana. O objetivo seria fortalecer o grupo para poder negociar junto às usinas e na obtenção de insumos. “Antes disso, o principal é tentar sensibilizar o desembargador para que não olhem a questão apenas tecnicamente, mas sim pelo lado social da população das cidades envolvidas”, argumenta. Segundo o produtor, a Agrest gera atualmente mais de dois mil empregos diretos.
O produtor Marcelo Frascareli Quevedo possui 60 alqueires de cana plantada para a Agrest. Ele relatou que não tinha conhecimento que a cana de alguns fornecedores não estava sendo moída. Com a safra iniciando em julho até setembro, agora teme o que poderá ocorrer. Quevedo lembra que fornece cana para a Agrest desde 2003 e nunca teve qualquer tipo de problema.
A reunião foi presidida pelo vereador Rui Reis, que também é fornecedor de cana da Agrest. Ele relatou que sua cana está sendo moída e está recebendo corretamente, mas reconhece a crise que a usina está passando. “O objetivo é que a cana não deixe de ser moída, independente de quem seja o dono da usina”, afirma.
Uma ata da reunião foi redigida. Os representantes também assinaram um manifesto para ser enviado aos desembargadores que estão decidindo a questão da Petroforte. Uma lista de questionamentos também será direcionada aos atuais diretores da usina.