• Região
Movimento quer paralisar Raposo contra presídio

SEGURANÇA — Vereador Tiririca ficou indignado com desinteresse do prefeito de Bernardino; foram programadas manifestações em abril e maio


População lotou auditório da Câmara contra presídio
Com o objetivo de chamar a atenção das autoridades, integrantes de um movimento pretendem paralisar a rodovia Raposo Tavares para demonstrar revolta contra a instalação do presídio em Bernardino de Campos. O anúncio da proposta foi feito na última sexta-feira, durante a segunda audiência pública para discutir a futura penitenciária, na Câmara Municipal de Ipaussu. Outra proposta é uma manifestação de estudantes da escola Júlio Mastrodomenico na cidade de Bernardino, no dia 16 de abril.
O futuro presídio masculino, com capacidade para mais de 700 detentos, será construído pelo governo do Estado entre Bernardino de Campos e Ipaussu. No entanto, as autoridades de Ipaussu entendem que a obra vai prejudicar mais Ipaussu pela maior proximidade. O terreno já foi desapropriado e as obras estão em fase de licitação.
As audiências públicas realizadas em Ipaussu vêm sendo organizadas pela Defensoria Social. A organização é um colegiado de instituições e personalidades que atuam na defesa dos direitos sociais e coletivos da sociedade em defesa da justiça social.
A ideia do movimento é sensibilizar o governador José Serra para que a região receba um centro regional de saúde, melhorias na educação e cultura — e não símbolos de violência. “A região mais pobre do Estado de São Paulo, que esperava receber ajuda do estado, ganha um presídio e seus problemas de presente”, protestou o secretário-geral da Defensoria Social, Leonardo Aguiar Morelli.
Entre as ideias de ações, Morelli indicou que a população de Ipaussu pode pressionar os vereadores de Bernardino para que aprovem lei proibindo a instalação de presídio na cidade. Em Ipaussu a lei já existe e foi indicada pelo atual presidente da Câmara, Roberto Tiririca Guidio Perez.
O vereador, por sinal, atacou o prefeito de Bernardino de Campos, acusando Moacir Beneti de aceitar a instalação após algumas promessas do governador, como uma comarca para a cidade. “Na primeira reunião, o prefeito ficou alguns minutos e saiu. Hoje ele nem apareceu. Não aceito o fato do prefeito de Bernardino prejudicar Ipaussu. Quero debater com ele. Ele está fugindo do debate. Já ficou interessado no presídio pensando nas arrecadações de impostos que pode conseguir”, acusa.

O secretário-geral Leonardo Aguiar Morelli
O secretário da Defensoria Pública demonstrou-se contrário ao atual sistema de segurança pública, que cultua o medo e o isolamento. “As pessoas estão colocando cada vez mais grades e aumentando o tamanho dos muros. São seres humanos enjaulados e com medo de saírem às ruas”, lamenta.
Morelli lembra que vivemos em uma sociedade midiática que busca na violência uma maior audiência. “Não existe na escola ou na sociedade a ideia de criar uma cultura de paz. Cultuamos o consumo exagerado. O mercado é violento e destruidor. A crise é uma prova disso”, argumenta.
O secretário reclamou que, enquanto populações inteiras morrem desnutridas, países alegam não ter dinheiro para acabar com a fome. “Ao mesmo tempo, quando a crise se instalou, bilhões apareceram para salvar bancos”, lembra.
Moreli aponta que, juntamente com o presídio, virão as famílias dos presos, os comandos e as rebeliões. Além disso, outro ponto levantado foi a questão dos hospitais. Quando um preso se machuca ou precisa de qualquer tipo de atendimento médico, ele tem prioridade na Santa Casa. “Os hospitais da região terão que receber os presos e não receberão nada para melhorarem suas estruturas”, disse.
A falta de efetivo policial também foi discutida. “Você pode estar sendo assaltado e a polícia não vai poder fazer nada, pois está ocupada fazendo escolta de presos”, exemplifica. “Esse sistema é falido. Não apresenta soluções e apenas traz problemas”, afirma.

Leia mais:

Região pode perder potencial turístico com presídio