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Donos da rede Graal são homenageados em S. Cruz

MEMÓRIA — Antonio Eduardo Rocha Alves e Manuel Antonio Alves transformaram o posto Kafé, na rodovia SP-225, num enorme museu de Santa Cruz


Antonio Alves (à esquerda) e Manuel, com as respectivas mulheres, durante a entrega dos títulos de cidadãos
Em sessão solene realizada nos salões do Icaiçara Clube, a Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo entregou títulos de cidadania aos empresários Antonio Eduardo Rocha Alves e Manuel Antonio Alves, sócios-proprietários da rede de postos Graal. O evento reuniu dezenas de pessoas na noite de sexta-feira, 15, e contou com exibição da banda Estação Kafé, regida pelo maestro Mário Nelli. A homenagem foi aprovada como agradecimento ao fato dos empresários terem transformado o posto Kafé num imenso museu ferroviário de Santa Cruz.
O posto Kafé resgatou a memória ferroviária do município, inclusive com uma réplica da antiga estação da Sorocabana e uma locomotiva a vapor, de 1907, que percorre pequeno trecho para os visitantes. Há, ainda, esculturas humanas em vários pontos do estabelecimento e um armazém cenográfico lembrando a época áurea do café na região. O local já é conhecido como ponto de artistas da região. O projeto foi idealizado, a pedido da rede Graal, pelo artista plástico Plínio Rhigon e arquitetos e engenheiros de Santa Cruz do Rio Pardo.
Dos dois irmãos portugueses, Antonio tem uma ligação de mais de 50 anos com Santa Cruz do Rio Pardo. O primeiro investimento do grupo foi a aquisição do posto Paloma, na mesma rodovia. Em seguida, houve a compra do Kafé, poucos quilômetros adiante.
A homenagem aos empresários foi proposta pelo vereador Rui Reis (PV), que enalteceu o espírito histórico dos irmãos. “Este título foi a maneira que o povo desta cidade encontrou para agradecer aqueles que contribuem para o engrandecimento social, cultural e econômico de Santa Cruz”, disse. Rui lembrou grandes vultos do passado santa-cruzense — como os irmãos Villas Boas — para lembrar que os empresários, agora cidadãos santa-cruzenses, estão em boa companhia.
Antonio e Manuel, naturais de Portugal, estão no Brasil há cerca de 50 anos. Eles administram, através da Rede Graal, mais de 50 postos de combustíveis.
A cerimônia de sexta-feira foi prestigiada pela prefeita Maura Macieirinha (PSDB) e pelo deputado estadual Vitor Sapienza (PPS), amigo dos irmãos Alves. Ele contou que conheceu Manuel quando o português ainda era dono de padaria e costumava doar alimentos para as ações sociais do parlamentar. Vitor brincou que nem mesmo a paixão do futebol (ele torce pelo Palmeiras e os irmãos, pela Portuguesa) arranhou a amizade de tantas décadas. O deputado também enalteceu a “coragem” dos irmãos em investir na região e gerar empregos numa época de crise.
Antonio Alves agradeceu a homenagem e lembrou sua íntima ligação com Santa Cruz há mais de meio século. Ele garantiu que a rede Graal vai continuar colaborando com o município “e levando para frente outros projetos”.

O deputado Vitor Sapienza (PPS)
Brasil — Ao DEBATE, o empresário Manuel Alves contou que praticamente nasceu dentro de uma padaria, ramo que era tradicional na família. “Mas eu queria enaltecer este País maravilhoso, que nos acolheu e nos ensinou a ser gente”, disse. “Não tem País melhor no mundo”, insistiu.
O início no ramo de combustíveis ocorreu na cidade de Registro-SP, quando os irmãos compraram o primeiro estabelecimento. A partir daí, o grupo não parou de crescer. “Ninguém faz nada sozinho, por isso temos vários sócios. Mas nossos postos estão espalhados neste País continental, até no Rio Grande do Sul”, disse.
Manuel disse que o nome Graal não foi escolhido apenas por inspiração religiosa — é o nome dado ao cálice usado por Jesus Cristo. “A lenda conta que seria um cálice cravejado com pedras preciosas. E tudo aquilo que conquistamos é sempre muito precioso, seja pelo trabalho ou pela vontade. Então, decidimos batizar a rede com o nome de Graal”, explicou.
O irmão Antonio Alves admitiu que o posto Kafé estava quase abandonado quando a rede decidiu incorporá-lo ao grupo. Mesmo pertencendo à Graal, o posto permaneceu sem reformas durante vários meses. Afinal, havia um desafio: elaborar um projeto diferenciado, uma vez que o Paloma — outro estabelecimento da Graal — fica a poucos quilômetros. “Sem algo diferente, iríamos somente dividir a clientela, sem somar nada”, explicou.
Antonio admitiu que o grupo não visou lucro com o projeto da Estação Kafé. Hoje, calcula-se que o capital investido vai demorar anos para ser recuperado. “Mas não olhamos o interesse do capital. Nosso objetivo era fazer algo pela cultura, contando com o auxílio de artistas de Santa Cruz. E parece que conseguimos”, afirmou.
A compra da locomotiva, por exemplo, foi uma verdadeira novela. Os irmãos acionaram vários amigos para encontrar uma máquina do gênero. “Não podia ser uma qualquer. Achamos várias, mas não nos interessou”, contou Antonio. Certo dia, uma máquina fabricada na Inglaterra foi encontrada numa usina em Pernambuco. O dono resistiu à venda e só cedeu após seis meses de negociação. Sorte dos irmãos Alves e de Santa Cruz, pois, se não fosse adquirida, a velha “maria-fumaça” tinha um caminho já traçado: retornar à Inglaterra para ornamentar um museu.