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Ex-pracinhas santa-cruzenses são homenageados

HISTÓRIA — Familiares de veteranos e o ex-pracinha Mario Ramalho foram homenageados em solenidade no TG; uma placa também está sendo confeccionada


Mário Ramalho é o único ex-pracinha ainda vivo em S. Cruz; ele exibe imagens da época em que era cabo
O dia 8 de maio de 1945 é conhecido como “O Dia da Vitória”. É a data formal da derrota da Alemanha nazista para os aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Comemorando o 64º aniversário da participação da FEB na guerra, o Tiro de Guerra de Santa Cruz do Rio Pardo realizou uma solenidade especial para homenagear os nove pracinhas santa-cruzenses que participaram da guerra. O evento aconteceu no pátio de formaturas no sábado, 9.
Os homenageados foram Antonio Vidor, Antonio Inácio da Silva, Biécio de Brito, Edson Dias Brochado, José Bernardino de Camargo, Mário Ramalho, Oswaldo Carquejeiro, Salatiel Dias e Valdomiro Elise do Nascimento.
Um dos pracinhas que ainda está vivo para contar a história é o segundo tenente reformado Mário Ramalho, 86. O ex-combatente revelou que saiu de Santa Cruz em 1940, aos 19 anos, e se alistou à FEB (Força Expedicionária Brasileira) como voluntário. No dia 22 de agosto de 1942 o Brasil entrou oficialmente na guerra, ao lado dos EUA. O fato se deu após o bombardeio contra navios brasileiros, atribuído à Alemanha. “Eu duvido que os alemães tenham derrubado algum navio nosso, mas foi esse o motivo que Getúlio Vargas usou para entrar na guerra”, lembra.
Ramalho lembra que ele e os companheiros santa-cruzenses ficaram divididos em dois quartéis. O batalhão dele acabou sendo enviado para cuidar do litoral paulista.

Imagens da época em que era cabo
“Conforme a escala do dia, íamos fazer a ronda no cais do porto, em Santos ou no Guarujá. Na cidade não fazíamos nada, era só no litoral mesmo. Estávamos à disposição do comando”, revela.
Inicialmente como soldado, em quatro meses ele foi promovido a cabo. “Fui inscrito para fazer o curso de sargento, mas não quis seguir carreira militar. Terminei como cabo. Algum tempo após o fim da guerra, recebemos o benefício da promoção para segundo tenente por temos participado das atividades bélicas no litoral, apesar de não termos disparado um único tiro”, conta.
Ramalho escapou de participar da frente de batalha na Europa. Ele relata que havia sido escalado, junto de alguns companheiros de quartel, para viajar. “Iríamos embarcar na manhã seguinte, quando recebemos a notícia de que a Alemanha havia se rendido e que a guerra havia acabado. Eu estava lá para guerrear e pronto para tudo, mas felizmente acabou não sendo necessário”, revela.
Com o fim da segunda guerra, Ramalho voltou para Santa Cruz. Anos depois, em 1950, se casou com Dolores (já falecida), com quem teve três filhos. Ramalho já possui 10 netos e três bisnetos.
A família se reuniu no TG sábado para ver o patriarca ser homenageado. Além da solenidade, uma placa com o nome dos nove pracinhas será colocada na praça em frente ao TG. Na praça Coronel José Eugênio Ferreira (atrás da escola Leônidas) foi colocada uma placa de homenagem aos expedicionários em 1968. No entanto, Mário Ramalho acabou ficando fora da lista. Ele acredita que seja por não ter ido à linha de fogo, ou por questões políticas.