• Cidade
Abandono do Parque São Jorge revolta moradores

CIDADE — Rua sem asfalto, buracos, lama, mau cheiro, pernilongos e cobras são problemas que os moradores do Parque São Jorge enfrentam


Rua ao lado do “Pantaninho” fica alagada após chuvas; moradores precisam desviar do barro e dos carros
Os moradores do Parque São Jorge estão se sentindo abandonados pela administração municipal. Além de ruas esburacadas, a lagoa artificial conhecida como “Pantaninho” está gerando reclamações. O projeto de revitalização da área, para transformá-la num espaço de lazer, ainda não foi concluído.
O trecho de rua que liga o Parque São Jorge à vila Saul, passando ao lado do Pantaninho, está tomado pelos buracos. A maior parte do asfalto esfarelou e o local voltou a ser uma rua de terra. O asfaltamento do Parque São Jorge foi realizado no início de 2002 e em dezembro do mesmo ano já era alvo de reclamações. Esse trecho de ligação dos bairros foi o primeiro a ficar esburacado e, desde então, não foi reparado.
Em 2008, um pacote de R$ 1 milhão em recapeamento e pavimentação asfáltica incluiu a ligação do Parque São Jorge ao bairro rural “Onça”. No entanto, os cerca de 300 metros ao lado do Pantaninho ficaram de fora, revoltando os moradores.
Para o funcionário público Lourenço Pereira de Lima, 51, o abandono da rua é uma vergonha. “Asfaltaram tudo e deixaram esse pedaço. Quando chove fica difícil passar por esse trecho”, lamenta.
Lima chegou a ter prejuízos por conta dos buracos na rua. “Essa semana furaram os dois pneus da carroça nesta rua. Com um gastei R$ 60 para arrumar o aro, e no outro foram mais R$ 35. É tudo prejuízo dos buracos e eu que pago a conta. Quando chove, é preciso desviar o caminho porque a rua fica cheia de água e lama”, relata.

“Pantaninho” — A lagoa artificial foi interditada para pesca e recreação pela Vigilância Sanitária em fevereiro de 2002, devido à má qualidade da água. Na época da interdição, foi decidido que o lago seria esvaziado e daria lugar a uma área de lazer. Em outubro de 2003 foram iniciadas obras de desassoreamento. Já em fevereiro de 2004, a prefeitura decidiu que a lagoa não seria mais desativada. Em 2007 máquinas voltaram a trabalhar no local, retirando lama do fundo. No entanto, o projeto de uma área de lazer nunca foi concluído.
Lima reclama que sapos, cobras e pernilongos aparecem aos montes por conta do mato ao redor da lagoa. “Precisa asfaltar essa rua e limpar o mato em volta do Pantaninho. As crianças ficam nadando nesta sujeira, é um absurdo isso”, reclama.
O ajudante de pedreiro Antonio Marcos Campanha, 37, espera que o projeto seja concluído. “Só deixaram a lama para nós. Eles precisam completar o que prometeram. Começaram a mexer em tudo aqui, estava ficando bonito, mas não continuaram. Agora ficou pior. A criançada fica nadando no meio do barro e do lixo. A prefeitura precisa tomar providências. Os moradores merecem um lugar mais bonito e agradável”, afirma.
A dona-de-casa Elza Bertoldo Campanha, 33, também disse que o problema dos bichos é o que mais incomoda. “O pessoal vem pescar, mas nem sei como alguém come um peixe deste lugar, que cheira mau. Além disso, a lagoa está sempre cheia de crianças aos finais de semana”, relata.

Pescaria — A aposentada Antonia Santos Silva, 69, discorda que a lagoa esteja poluída. Ela afirma que, após a limpeza do Pantaninho com as dragas, o local não ficou mais poluído. Sobre a quantidade de bichos que incomodam os vizinhos, Antonia alega que “pernilongo toda lagoa tem”. A aposentada disse que não sente o mau cheiro. “As vezes jogam algum bicho morto no mato e fica cheirando mal, mas na lagoa não tem nada”, garante.
Antonia relata que vai pescar todos os dias na lagoa e se alimenta dos frutos da pescaria. Em um dia já chegou a pescar 25 lambaris, dois carás grandes e uma cachorra. “Também dá para pescar piau, além de traíra à noite”, afirma.
A secretária de agricultura e meio ambiente, Rosânia Guerra, informou, através da assessoria de imprensa, que já existe um pré-projeto apresentado pela Secretaria de Obras para revitalização do local. O órgão também informou que recentemente técnicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente vistoriaram a lagoa para apresentar proposta de viabilidade.
“Após a conclusão do projeto, este será apresentando para apreciação da comunidade e aprovação de alguns proprietários de parte da área que pertence a terceiros. Outro passo é a conquista de recursos estaduais ou federais para realização da obra, levando em conta que o custo estimado para projeto ultrapassa R$ 500 mil”, disse.
Sobre a prática de pescaria e de recreação na lagoa artificial, a secretária enfatizou que “por enquanto o local não é propício para nenhum tipo de atividade”. No entanto, não existe nenhum aviso no local. Em relação ao trecho de terra que liga o Parque São Jorge à vila Saul, a administração alegou que o projeto encontra-se em trâmite na Secretaria dos Transportes — Departamento de Estrada de Rodagem (DR-7 – Assis) — no programa Pró-Vicinais IV.