• Cidade

O bom exemplo vem de cima!

Carlos Augusto Gobbi *

ABRAHAM LINCOLN, o décimo sexto Presidente dos Estados Unidos da América do Norte (1861-1865), certa vez caminhando pela Capital daquele País, ao avistar um cidadão noutra calçada cumprimentou-o. Imediatamente foi questionado por um assessor, que inconformado lhe disse: o senhor é o Presidente, ele deveria saudá-lo primeiro, não o contrário. Em resposta, Lincoln afirmou: você acha que ele deveria ser mais educado do que o Presidente.
Desta situação se obtém que o bom exemplo de condutas sociais deve partir daqueles que estão em situação de destaque junto à sociedade, por serem o esteio moral, ético e legal para todos os demais membros sociais. Vale dizer: o exemplo deve obrigatoriamente vir de cima, por que a sociedade se espelha no comportamento daqueles que detém o poder, para então agir assimetricamente e manter a ordem, a paz, que resulta no bem-estar social.
Infelizmente, não é o que se vê na atual sociedade, onde o mau exemplo é praticado exatamente por aqueles que devem fazer cumprir a lei, portanto, o descaso com as regras são motivadas pela ausência de cidadania dos que estão investidos no poder, que por vontade própria tratam a sociedade com pequenez, por entenderem que estão acima de todos e principalmente do alcance da lei, portanto, fora dos limites da punibilidade, eis que, algumas vezes, são eles que as aplicam.
A estes se adverte “todos são iguais perante a lei” (Art. 5º da Constituição Federal de 1988), ninguém está acima dela, então porquê estes avilinadores do bom exemplo não atuam em prol da sociedade? Porque não exercem o seu papel de pessoa pública e singram o mar da respeitabilidade ao próximo, à lei e à ordem, apresentando a sociedade somente bom exemplos?
As respostas são simples: primeiro, por que você leitor não exige dos propagandistas do mau exemplo que mudem a forma de agir. Segundo, por que eles não respeitam a sociedade, por acreditar absolutamente não ter ela força ativa contra o poderio em que estão investidos os ativistas do mau exemplo.
Cidadãos, a sociedade vive sob o manto da respeitabilidade ao direito individual, mas dentro de uma ordem maior que são as leis, ou como prefere Koenigsberg, “o direito é o conjunto das condições segundo as quais o arbítrio de cada um pode coexistir com o arbítrio dos outros de acordo com uma lei geral de liberdade.”
Este é o motivador da harmonia social, a respeitabilidade do direito alheio, mas como pontificado a pouco, muitos dos que deveriam preservar e defender esta situação, as violam por total ausência de respeito e, repisa-se, por achar que estão acima da lei.
Assim como em outros artigos já escritos, conclamo você leitor a se engajar na cruzada contra os aplicadores do mau exemplo, denuncie. Vamos, extirpar esses indivíduos da sociedade, com o exclusivo objetivo: devolver a nós cidadãos a respeitabilidade do nosso direito, por meio da prática do bom exemplo.
Leitor, se entender que estou exagerando, acredite que você poderá ser a próxima vítima e quando acontecer não adiantará reclamar, pois a ocasião de lutar pelo seu direito findou-se com a sua inércia cívica e com o seu temor em defender a socie dade, bem como, por não ter a coragem de enfrentar as forças investidas no poder, submetendo-as à vontade das leis e a prática do bom exemplo, pois este sempre deverá vir de cima.
A você que detém o poder e dissemina o mau exemplo, atenção, a cidadania adverte: esta conduta é prejudicial à sociedade e um dia se voltará contra você!

Carlos Augusto Gobbi é advogado e professor de Ciências Políticas/Teoria Geral do Estado e Direito Constitucional da Faculdade de Direito na OAPEC. (Comentário sobre o artigo: carlosgobbi@ig.com.br)