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"Humana Festa", novo livro de Regina, é romance bem-humorado

Humana festa é a quinta obra de Regina Rheda e é o primeiro livro de ficção a abordar o movimento veganismo e os direitos dos animais. O professor de teoria literária e literatura da Unicamp, Márcio Seligmann-Silva, no texto da orelha do Humana festa, afirma que é “um romance original”.
Regina Rheda, em entrevista ao DEBATE, concorda: “De fato, é difícil encontrar outro romance que sirva de parâmetro para discutir o Humana festa. Eu não sei de nenhum livro de ficção, na nossa língua ou em outra, que trate do tema que eu tratei, com a mesma visão de mundo e os mesmos tipos de situações, personagens e conflitos. O único autor de ficção que até agora tratou da questão animal, com uma visão um pouco mais parecida com a minha, foi o sul-africano J. M. Coetzee (Prêmio Nobel em 2003), em três de seus livros de ficção”.
Segundo a assessoria de imprensa da Editora Record, o Humana festa narra, de forma empolgante, o romance entre a americana Megan, adepta do movimento vegano (não consome produtos de origem animal, como carnes, laticínios, ovos e mel, nem usa animais para coisa alguma) e defensora dos direitos dos animais, e o brasileiro Diogo, filho de um poderoso fazendeiro, herdeiro de quatro fazendas de criação de animais e um carnívoro inveterado que se esforça para virar vegano.
“O Humana festa trata da situação dos animais de maneira densa e séria, mas com muitos toques de humor e ironia”, disse a escritora de Santa Cruz do Rio Pardo.
Aliás, o bom humor é uma das marcas de Regina Rheda desde o seu primeiro livro, Arca sem Noé – histórias do edifico Copan. De acordo com a escritora, “no Arca sem Noé, o que foi chamado de esquisitice humana eu expressei com uma forte perspectiva cômica, mas também com uma grande empatia em relação aos personagens e às pessoas em quem me inspirei para criá-los”.
Regina Rheda é autora de outros três livros: Pau-de-arara classe turística; Amor sem-vergonha e Livro que vende. “Bem-humorada e despretensiosa, a linguagem de Rheda foge de clichês e carrega em descrições saborosas”, escreveu Bernardo Ajzenberg, no caderno Mais! da Folha de S. Paulo sobre o Pau-de-arara classe turística.
As obras de Regina Rheda têm um viés de humor, muito embora sério. Aliás, Humana festa também. Com a palavra, a escritora: “Além do casal protagonista, eu tenho a personagem Vanessa, uma ex-modelo, muito admirada por ser linda e esbelta, mas que mantém a forma enfiando o dedo na garganta e vomitando quase toda a comida (geralmente cheia de carne) que devora nas refeições. Outro personagem nessa linha é o norte-americano Dr. Stanley, um especialista em câncer de pele, com contatos importantes na sociedade, que decora a sala de espera de sua clínica com os cadáveres dos animais que caça e manda empalhar. No Dr. Stanley eu exploro a contradição entre sua capacidade para curar e sua capacidade para matar, entre seu uso do bisturi para afastar a morte e seu uso do rifle para causar mortes, entre seu cuidado estético ao fazer uma cirurgia no rosto de uma paciente e sua horrenda estética de cadáveres ‘ornamentais’ de animais caçados”.
Segundo Ivan Cláudio, na revista Isto É, “a paulista Regina Rheda, uma das revelações da literatura, surpreende”. Humana festa, o romance de Regina Rheda, é uma publicação da Editora Record, 352 páginas, R$ 46, à venda nas livrarias do país.