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Uma mentira de verdade

Como acontecia em todas as festividades, o palanque estava armado na esquina da praça. Aquela festa era especial; era aniversário da cidade e, como todos os anos, havia torneio de violeiro, de contador de “causo” e, como sempre, o de contador de mentira. Depois da apresentação dos vencedores dos mais variados esportes, começou a disputa final do melhor contador de mentira; a disputa de violeiro seria a última. De um lado estava o Araponga, que tinha esse apelido por conta de seus cabelos totalmente brancos, do outro estava o Berto Dellavechia. Coube ao Araponga contar a primeira mentira. Se ele ganhasse seria a primeira vez, pois todo ano o Berto ganhava o prêmio de Melhor Mentiroso e o Araponga sempre ficava em segundo. O Araponga tinha se preparado. Inventara uma mentira que duvidava que o Berto tivesse uma melhor. A torcida era grande, tanto para um, como para o outro.
O Araponga contou: “Pois é, dia desse minha Véia, logo de manhãzinha, antes do sór nacê, me disse qui num tinha mistura. Aí eu pensei aqui com meus botão. Si não tem mistura eu vou pescá antes do trabaio. Lá fui eu pra berada do rio. Quando cheguei o dia estava já querendo nacê e pensei: tá na hora de uns bão dorado. Ponhei a isca no anzó, uma bobaginha, um pexinho de meio quilo que peguei côa mão, bem na berada. Foi só jogá o anzó nágua, que logo senti a fisgada. Logo percebi que o bicho era grande. O bicho puxou prum lado, puxou pro outro e eu firme. Dei linha prele pensá qui tava iscapanu e quanu o bicho menos esperava, comecei a recoiê a linha. Ói, foi luta de gente grande. Gastei mais de meia hora pra tira o danado do rio. Mais valeu a pena. Num era assim dos maior que já peguei, mais pesava bem uns déis quilo. Pensei cumigo: pro armoço ta bão, dispois eu pego otro pra janta. Só me preocupô o fato do rio te baixado um pouco quando tirei o danado d’água. Coloquei o baitelo no piquá, levei pra casa e fui pro trabaio. Quano cheguei pro armoço a Véia tava incasquetada e me falou: “Ói, eu nem tentei abri o peixe. Quando eu finquei a faca na barriga dele, a faca bateu num negócio duro que nem ferro. Num é mintira, óia como ficou cheio de dente o corte da faca”. Fiquei oiano praquilo e fui no paió busca a machadinha. Cortei a cabeça do peste e com cuidado fui cortano a espinhela do peixe. Eu quiria sabê o tinha dentro do escamoso, sem estragá. Devagar e com muita pacência abri o danado e sabe o que encontrei drento? Oceis num vão acreditar! Drento do peixe tava um relógio, desses de borso, de ouro, coisa mais linda! Abri a tampa do patacão pra ver se tinha argum nome gravado e sabe o que tainha gravado drento do relógio? Oceis num vão acreditá! Tava lá, pra quem quisesse lê, o nome de meu pai. Fiquei pasmado! Meu pai tinha perdido o patacão já fazia mais de 20 ano. E ele tava perfeito. Marcava hora, minuto, segundo, o dia e até a lua ele, ainda, marcava direitinho”.
Nessa altura o Araponga tirou do bolso seu próprio relógio e mostrou para o povo e disse: “Taqui a prova do que o que eu falo é verdade”.
Foi uma ovação só. O povo delirava e gritava “já ganhou, já ganhou”!
Chegou a vez do Berto contar sua mentira. Ele olhou para o povo e disse:
“Meus amigos, esse ano eu reconheço que perco para o Araponga. Eu não sou capaz de contar uma mentira maior que essa. E para provar a verdade do que o Araponga contou, eu trouxe a vara com que ele pescou o peixão de dez quilos”. E mostrou para o povo uma varinha que não tinha mais que um metro e meio, tão fina que não agüentaria nem um lambarizinho. E foi com essa mentira que o Berto, mais uma vez, levou a taça de campeão.
Ambos, Araponga e Berto, já partiram há muito tempo e, segundo informações abalizadas, desde então o Céu não é mais o mesmo; é piada o dia inteiro.

— João Menon (São Paulo-SP)


Oncinha

Ainda que à distância, venho acompanhando a evolução da Caninha Oncinha. A conheci como Ivoran e, quando criança, brinquei no seu interior. A expansão de suas instalações pelas áreas adjacentes sempre me causou alguma preocupação — talvez uma certa indignação, por acreditar que o mais racional seria buscar um espaço mais seguro distante do centro urbano. Por décadas, a cada visita à Ourinhos — particularmente à avenida Jacinto Sá, onde vivi — deparava com a degradação das cercanias daquela indústria. As casas residenciais e os imóveis comerciais, incluindo o belo Jardim da Dona Rosa e o Bar do Fagá, foram desparecendo e davam lugar a um desprezível paredão. As ruas da região se tornaram ociosas, por ausência de moradores e usuários, passando a ser utilizadas como estacionamento exclusivo para os caminhões utilizados no transporte de sua produção, enquanto seus motoristas davam outra destinação ao espaço público.
Suponho que o grupo empresarial manteve, por mais de cinco décadas, considerável área na zona rural, bem próxima da Rodovia Raposo Tavares, onde poderia instalar sua unidade industrial, sem prejuízo, temor ou desassossego para os moradores do centro da cidade. Infelizmente, preferiram utilizá-la parcialmente com alguns toneis para armazenamento de matéria-prima. Por essas razões, a notícia do aventado fechamento daquela empresa não me surpreende — espero que não ocorra, para o bem de seus empregados e fornecedores — e apenas reforça a indignação pela falta de visão de seus percursores, cuja herança se reduzirá a nova área degradada na cidade.

— Noel Gonçalves Cerqueira (Guarujá-SP)



Falsa humildade

Difícil calar quando o silêncio seria a melhor resposta. A soberba e arrogância cega, fere e atinge pessoas de bem. Se auto-entitular benemérita, solidária e transparente, além de cabotino, mostra justamente o lado contrário, este sim verdadeiro.
Cego não é só aquele que não vê, mas sobretudo aquele que não tem humildade de caráter em reconhecer o que o outro fez de bom e deixou como exemplo.
Injusto não é somente aquele que pratica injustiça, mas sobretudo aquele que é incapaz de ser imparcial, pois seu ego não lhe permite. Quantas pessoas referem-se carinhosamente e enaltecem a participação da “gerente geral” durante tantos anos no “lar”. Além de desrespeitoso irônico, referir-se à presidente como “gerente geral” esconde a covardia, inerente aos felinos, que só atacam pelas costas.
A senilidade é implacável; para muitas pessoas ela acentua o equilíbrio, a temperança e o bom senso. Seria o tempo de deixar para traz o destempero e agressividade, mas há exceções, nem todos conseguem. Às vezes as pessoas tornam-se ainda mais ásperas e azedas, imaginando-se num pedestal e se acham inatingíveis com tudo e todos à defendê-la.
O tempo sempre foi o melhor remédio. Se nos faltar a justiça dos homens, a suprema divindade a resgatará.

— Mariney Stenkofp Bach (São Paulo-SP)



3 décadas de jornal

Parabéns ao DEBATE pelo excelente trabalho de jornalismo que vem desenvolvendo ao longo dos últimos 31 anos. Jornalismo independente, sério e, acima de tudo, com muita ética. Sempre acompanho pela internet as edições do DEBATE.

— Gilberto Prado (São Paulo-SP)



Pascoalino

Pode ser “engraçadinho” fazer comparação entre um vereador e um monstro, usando a clássica figura do homem com dupla personalidade (“Pascoalino S. Azords, 03/05/09, pág. D-6). Porém, é muito “sem-graça” fazê-lo quando se trata de uma personalidade como a do Dr. Salim Mattar, provavelmente o vereador de mais baixa rejeição na Câmara Municipal de Ourinhos.
Não é possível que pessoas inteligentes não percebam que o médico e vereador (muito mais médico do que vereador, pois ele “é” médico e “está” vereador) usou de ironia para com o vereador Lucas da Silva ao falar de bomba atômica. Sim, pois segundo o novato, a cidade está um caos, em plena calamidade, e somente alguém de sua árvore genealógica conseguiria contornar a situação.
Dr. Salim disse, sabiamente, com fino humor, para o estreante: “Se mesmo estando essa baderna, esse verdadeiro inferno, a eleição foi esmagadora, significa que devemos destruir tudo e reiniciar com uma nova cidade e uma nova população”.
Dr. Salim sabe que a cidade não está ruim, sabe que a vida está melhor aqui, apesar da crise mundial, e que a população reconhece a qualidade do prefeito. E que rechaçou o anterior. Dr. Salim sabe porque escuta e ausculta a população de Ourinhos, há mais tempo do que vive o jovem vereador.
Só alguém mal intensionado pode acreditar que Dr. Salim receitaria uma bomba, a menos que fosse para usar figurativamente. Um homem que salvou tantas vidas respeita a vida e, principalmente, o direito de viver.

— Gustavo Gomes (Ourinhos-SP)



Nova Câmara

A Câmara, através do presidente Jorge Araujo, está querendo construir a nova sede do legislativo. Para isto, vai utilizar o terreno já doado, ao lado da sede do Corpo de Bombeiros.
O projeto está em andamento, os orçamentos sendo preparados, o terreno sendo estudado. Pelo andamento, o prédio vai dar conforto à população, privacidade aos vereadores (cada um terá um cantinho), além da beleza arquitetônica do projeto. Vai possibilitar aos amantes do teatro apresentar peças, dado o projeto incluir esta possibilidade, além de palestras e outras apresentações.
Mas existe na cidade o pessoal que não gosta, não quer e acha que construir é errado. Interessante que na comunidade Orkut, cujo dono é Leandro Mendonça (PSDB), tecem comentários contrários à construção. Mas, pasmem, agora falam que construir uma nova prefeitura pode, mas nova Câmara não. Hipócritas! Talvez seja a questão da placa de inauguração...
Quero deixar publicamente meu apoio ao projeto de construção da nova sede do legislativo, pois Santa Cruz merece um novo prédio, ainda mais com os acertos em dedicar o espaço a toda a população. Parabenizo o presidente Jorge Araujo pela dedicação e arrojo em construir a nova sede. Parabéns aos vereadores que apoiam a ideia.
Enquanto a construção começa, talvez vamos ver a municipalidade construir a nova rodoviária, instalar a iluminação do estádio “Leônidas Camarinha” e concluir o asfaltamento do “pantaninho” — que começou nas eleições e ficou no barro. Enfim, é preciso começar a trabalhar, coisa que ainda ninguém viu...
Santa Cruz com certeza apoiará — e muito — o projeto de construção da nova sede do legislativo.

— Cesar Fleury Moraes (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)


Saída temporária

É do conhecimento do todos que, na época em que os presos recebem o benefício da saída temporária, a criminalidade aumenta no Estado de São Paulo. Na opinião de muitos, esses benefícios teriam que ser revistos para evitar esses fatos criminosos.
Vocês acham que a maioria desses presos, que recebem esse benefício, desejaria cometer crimes? E claro que não. Só cometem os delitos devido à pressão que sofrem no sistema prisional, antes de suas saídas, para arrecadarem dividendos em prol da facção criminosa denominada P.C.C. (Primeiro Comando da Capital). Se eles não conseguirem, na volta sofrem a consequência, inclusive com a pena de morte.
Então, a solução é a opinião da maioria, ou seja, que esses benefícios sejam revistos.

— Edilson Arcoleze Ramos de Castro (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)



Adefis agradece

Em nome da Adefis (Associação dos Deficientes Físicos Santacruzense), quero manifestar nossa imensa gratidão aos diretores e funcionários da Escola Agrícola Orlando Quagliato, que possibilitaram um dia de lazer e inclusão aos nossos usuários, participando de uma pescaria e um delicioso almoço cedido pela escola agrícola no dia 30/04/2009.
Era transparente a alegria desses senhores e senhoras, que ao longo da vida puderam exercer sua liberdade de ir e vir, e hoje se sentem limitados pela condição física atual, mas suas mentes continuam livres, mantendo desejos e sonhos, se alegram e admiram a natureza e querem participar da vida, com menos agilidade, porém com a mesma intensidade de outrora.
Com a participação de pessoas solidárias e a demonstração de amor ao próximo, somente assim foi possível dar “pernas” aos sonhos desses homens e mulheres que se sentiram parte integrante de uma sociedade ativa, em um instante de lazer convivendo com jovens e adultos em fase produtiva, dando também a estes oportunidade de conhecer um pouco mais da realidade dos portadores de necessidades especiais, e vendo que é muito saudável mesclar essa população, onde um aprende com o outro, onde um pode exercer a capacidade de se doar e o outro de sentir a gratidão e a alegria de ser amado como é, independente das diferenças.
Cadeiras de rodas na beira do lago, varas, iscas, e no coração a lembrança de velhos tempos de pescaria. Nesse dia o diretor liberou o lago cheio de peixes e, assim, puderam sentir a emoção de serem pescadores novamente. Um peixe atrás do outro, um grito querendo chamar a atenção para quem conseguia tirar o maior peixe, e isso se repetiu muitas vezes. Até quem nunca havia pescado arriscou e conseguiu, virou pescador — e sem precisar mentir o tamanho do peixe.
Aliás, fica aqui uma dica: o pesqueiro do colégio está aberto à população e, além da pesca, tem produção de alevinos para venda, que fica sobre a responsabilidade do professor Renato.
Na hora do almoço, todos se reuniram em volta de uma farta mesa, oferecida pelo colégio. Comida saborosa, feita com muito amor e servida da mesma forma pelos funcionários, que estiveram o tempo todo atentos. Tivemos a honra de ter companhias alegres, que foram os alunos do colégio designados para nos acompanhar e nos ajudar na pesca. Tocaram violão, cantaram, conversaram. Foi muito bonito ver esse encontro de gerações, que tornou o dia ainda mais alegre e gostoso. Por tudo isso, estamos aqui para agradecer publicamente ao diretor do Colégio, Sr. Edvaldo, diretor de Serviço André, motorista Pedro, que nos levou de ônibus, e a todas as cozinheiras, funcionários e alunos que foram grandes parceiros nessa atividade. Que Deus abençoe a todos! A Adefis agradece de coração.

— Rosemarí Colombo, terapeuta ocupacional (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)



Meu pai, meu herói

Depois de 8 anos de uma luta repleta de muita garra, disciplina e dedicação contra o câncer, na segunda-feira, 11, às 22h50, meu pai, meu herói, descansou. Deus sabe de tudo, por mais que o contestemos. Ele me trouxe para perto de meus pais (assim como fez com minha irmã), e nos últimos 6 meses fez eu conhecer um Adriano que nem eu mesmo conhecia e ter orgulho de uma irmã que me surpreendeu em atitudes e dedicação.
Meu pai, um homem sistemático, disciplinado, amigo, companheiro, dedicado, brincalhão, gozador, justo, honesto, um guerreiro que venceu todas as barreiras colocadas pela vida desde seu nascimento, alguém que onde passava conquistava eternos amigos com seu carisma.
Fiz por ele nos últimos dias, desde sua internação na sexta-feira, 8 de maio, até seu óbito, coisas que só o amor pode explicar ao ter atitudes e presenciar cenas. Me dediquei ao máximo.
Mesmo em coma induzido, conversamos, cantei para ele, demos risada, lhe dei muito carinho, beijos e, com certeza, fui retribuído, pois ele tinha em suas expressões faciais esporádicas sua maneira de dizer “obrigado”, de rir, de dizer “eu sei”. Fui seu “enfermeiro padrão”, como dizem os familiares. Deixo a todos a lição que aprendi com os profissionais da medicina: mesmo em coma, a última coisa que um paciente perde é a audição, e tudo que é dito perto dele é captado e compreendido.
Devo fazer honra a meu tio José Braz, minha tia Elenice, minha prima Cintia e meu irmão Julio pela dedicação impagável e surpreendente demonstração de amor expressos nos cuidados médicos e tempo dedicado a meu pai, principalmente nos últimos dias no hospital. Também impossível não falar de minha mãe, mulher forte e guerreira, que esteve a cada minuto dessa jornada ao lado dele, em cada momento de luta, seja nas cirurgias, na quimioterapia, na radioterapia, na expectativa do resultado de cada exame, nas viagens à Jaú para tratamento.
Agradeço ao tenente Capeleto e comandante Eliziário, da Polícia Militar Rodoviária, amigos de meu pai, por nos agraciar com a homenagem à ele através da ordem de presença de policiais militares da ativa e que os mesmos acompanhassem o velório e enterro, além dos policiais aposentados que o conheciam ou trabalharam com ele.
Agradeço a equipe da Unimed Lar, ao pessoal da farmácia da Unimed, cada médico, enfermeiro e enfermeira que, em Jaú, nos hospitais ou em casa, cuidaram com muito amor de meu pai, não importando o horário, de dia ou de madrugada.
No velório, após as preces de um pastor, de minha tia proferir palavras em meio a choro, consegui desatar o nó que havia em minha garganta e proferi minhas palavras sobre o excelente homem que ele era, que é, e sobre seu amor e dedicação pela polícia, pelo lema de proteger e servir. Após, como homenagem a este homem íntegro, justo e honesto, solicitei a todos os presentes, militares ou não, que prestassem continência ao presente sargento Cesar, e assim foi feito por todos, uma cena inesquecível.
Eu assinei sua internação, cuidei dele, me dediquei, fechei seu caixão e pude conduzi-lo até seu local de descanso, com muito orgulho do pai que tive, e sei que, mesmo com tudo, fiz pouco por ele. Pude demonstrar de várias formas, em vários momentos, até os últimos minutos de vida de meu pai, o quanto eu o amava e o quanto ele era especial.
Pai, sei que o senhor está aqui conosco. Desculpe-me por somente em sua partida poder dizer e demonstrar de forma mais clara o amor que eu sinto pelo senhor. Meu pai Darcy Cesar Santos, meu herói.

— Adriano Cesar de Oliveira Santos (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)



Saudade

Olacir Siqueira de Andrade (apelidado carinhosamente de “Ola”) nasceu em 21/07/65 e faleceu em 30/04/09. Nasceu para ser um anjo aqui na terra. “Ola”, querido irmão, será inesquecível para mim. Dói muito a partida dele repentinamente, ficando um vazio enorme para todos nós. Ele está no melhor lugar que existe: “Nos Céus” ao lado de Deus Pai e de Jesus Cristo, como um cristão perfeito que foi. O confronto da nova “vida”, as coisas de tempo passado são pequenas e insignificante perto do que fará a partir de agora.
Conservo e sempre conservarei todo o meu afeto por esse irmão na fé e uma ternura infinita, agradecendo, enquanto vida tiver, a amabilidade dele. Quando na minha última internação, fez questão de empurrar a cadeira de rodas, onde me encontrava, até o quarto.
Vivo agora pensando no querido irmão, na serena expectativas de estar ao lado dele o mais breve possível nessa maravilhosa morada celestial que alcançou, onde não existe a morte, somente alegria e amor.
Na humildade de vida e trabalhos diferentes, pude ver no velório a quantidade de amigos que soube fazer, sempre com um constante sorriso largo e franco.
Encontrou nos céus, tenho a certeza a grande paz de Nosso Senhor Jesus Cristo. “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos”.

— Yolanda Martins (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)



Perdoar

(Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido) Perdoamos a quem nos tem ofendido? Existem algumas ofensas que são fáceis de perdoar, mas outras... Pelo censo comum, geralmente classificamos as ofensas em leves — que pouco nos afetam — e pesadas — que nos afetam profundamente —, sendo a primeira fácil e a segunda, difícil de ser perdoada.
Muitos de nós, cristãos, rezamos a oração do Pai nosso diariamente ou semanalmente, simplesmente como quem escova os dentes, por hábito, pois, mesmo carregando mágoas em nosso coração, rezamos e continuamos a virar o rosto na rua para aquela pessoa com quem tivemos desavenças. Dá-se a impressão de que não entendemos o “perdoai-nos nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Na oração afirmamos que perdoamos a quem nos tem ofendido; se não perdoamos, mentimos, além do que alcançar o perdão divino está condicionado a perdoar.
Vivemos em um mundo do “faz-de-conta”, onde entendemos e compreendemos muitas coisas, mas, por comodismo, fazemos de conta que não entendemos coisa alguma. Assim, não precisamos fazer nada. Por isso vivemos na superficialidade de tudo, ao ponto de não nos importarmos nem conosco mesmo, às vezes, e quando nos damos conta da realidade, já estamos afundados no mar da ansiedade e da depressão.
Na batalha entre o bem e o mal, onde o mal influencia a quem ofende e ao ofendido a não perdoar, e o bem a quem perdoa e a não ofensa, a impressão que se tem é de que a serpente está em vantagem, mas a conquista da vitória é nossa. Bem ou mal, a escolha é nossa! A mágoa é o veneno da serpente agindo no coração do ofendido, instigando-o ao não perdão e o remoer da ofensa, aumenta a eficácia do veneno.
Perdoar é promover a ressurreição do outro em nossa vida, uma vez que o matamos em nós. O peso correto da ofensa só sabe dar aquele que foi ofendido, por isso erramos quando julgamos ofensas leves e pesadas, a menos que tal ofensa tenha ocorrido contra nós.
Qualquer oração é preciso mais que entendê-la; é preciso crê-la, pois se realmente acreditarmos que seremos perdoados por Deus, na oração do pai nosso, por exemplo, é mais fácil perdoar. Para nós, çristãos, é importante que rezemos sempre, mesmo que seja apenas por hábito, como quem escova os dentes, pois a palavra tem poder. Quem sabe assim, de tanto dizer que perdoamos, perdoemos realmente!

— Valdir Pedro (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)



Fiscalizar

Uma das mais importantes funções do legislativo é justamente aquela que não é cumprida pelos parlamentares: a fiscalização do erário. Por isso, se multiplicam os escândalos e a corrupção vira rotina. Até nos acostumamos com o “rouba mas faz”, numa total inversão de valores.
Sabedor disso e querendo melhorar o meio em que vivo, atuo firmemente nesta área e tenho obtido resultados positivos, haja vista que já consegui retirar diversos elementos nocivos ao serviço público, além dos processos contra aqueles que se locupletaram do erário se multiplicarem.
Isso só é possível pela minha independência. Enfim, não tenho o rabo preso com ninguém. Mas é claro que aqueles que são coniventes e querem manter esse “status quo” ou mesmo “descolar” uma boquinha, são ferrenhos opositores dessa ideia.
Alguns, inclusive, tentam e insistem em jogar lama no meu trabalho apenas com o intuito de angariar a simpatia do império e “se ajeitar”. Outros conseguem empregos para os familiares, Vectras, cargos de confiança etc. Para esses eu informo que aceito, com resignação, as críticas, mas que sejam mais criativos e não simplesmente dizer que eu não sou daqui.
Informo, ainda, que uma assessora direta (salário de R$ 3.700,00) da “aluna” prefeita, está aceitando currículos para os possíveis empregos a serem criados no futuro pedágio a ser instalado. Portanto, não percam tempo: levem os seus currículos na prefeitura, mas não se esqueçam de escrever que “odeiam o Rui Reis”, mesmo que seja de mentirinha. Talvez assim vocês terão mais chances. Boa sorte!

— Rui Reis, vereador (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)