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Vereadores trocam ofensas durante sessão

OURINHOS — Antônio Amaral Júnior (PT) e Fauez Salmen (PSDB) trocam insultos durante sessão legislativa; tucano ataca “pulhas” e “vagabundos”



Os vereadores Fauez Salmen (PSDB) e Antônio Amaral Júnior (PT) trocaram farpas na segunda-feira, 11, durante a sessão da Câmara de Ourinhos. Salmen — visivelmente irritado pelo fato do presidente Amaral ter cancelado contrato com a Infotec, empresa do filho do tucano — ironizou as verbas anunciadas pelo petista, através de emendas de deputados, e disse que Ourinhos está “mendigando”. Amaral acusou-o de não conseguir viver sob o estado de direito democrático, lembrando que Salmen defendeu a ditadura militar. “O senhor lave a boca para falar de mim”, devolveu o tucano.
Salmen questionou o trabalho de Amaral na captação de verbas, lembrando que, como sindicalista, o atual presidente tinha tempo para “perambular” atrás de políticos. “Até mesmo para sobreviver sem trabalhar muito”, atacou. Ele insinuou que Amaral nunca teve carteira assinada e que o prefeito Toshio teria cedido ao petista na nomeação de Oscar Boneto como secretário de Obras. “Nossa cidade fica dependendo de verbinhas. Não temos força política e é por isso que troca-se secretaria por causa de dinheiro de recapeamento”.
Sem citar nomes, Salmen voltou a atacar a imprensa, citando que foi fotografado jogando baralho. “Eu jogo, sim, e estou abrindo novos campos em vários bairros. Só não posso admitir que qualquer vagabundo, ordinário, pulha ou filho de pessoa que não sabe nem quem é a mãe, fique denegrindo a imagem de quem trabalha”, disse. O advogado também questinou a honestidade do presidente da Câmara, lembrando que “talvez ele procure conselhos com o José Dirceu e o José Genoíno”. E continuou: “Aí suspende-se um contrato porque o promotor, o dono da Câmara de Ourinhos, sugere”.
O vereador referia-se à recomendação do Ministério Público para que a Câmara suspendesse o contrato com a Infotec, empresa do filho de Salmen que está sendo acusada de fraude contra a lei de licitações. A ação envolve vários empresários e o ex-presidente da Câmara Osvaldo Barbosa (PMDB). O valor da fraude, segundo o MP, ultrapassa R$ 500 mil.
Antônio Amaral Júnior (PT) contra-atacou. Ele lembrou que Fauez Salmen apoiou a ditadura militar e, portanto, não sabe viver num regime democrático. “As pessoas que se abrigaram sob o regime militar têm uma postura muito autoritária e não permitem o debate democrático. Infelizmente o Salmen não tem condição de participar da vida democrática”, disse. Segundo Amaral, “qualquer atitude contra os interesses de Salmen basta para ele virar uma fera”. O presidente do legislativo explicou que o tucano, mesmo com maior número de mandatos na história de Ourinhos, não trouxe nenhuma verba para o município. “Eu entendo a dificuldade do vereador em aceitar certas coisas, pois ele fez parte do apoio à antiga ditadura militar”.
Amaral também explicou a suspensão do contrato com a Infotec, afirmando que tomou a decisão juntamente com a assessoria jurídica da Câmara. “Eu não tenho a intenção de mando, pois isto é próprio da ditadura. A questão que envolve o filho dele certamente o afeta do ponto de vista emocional. Mas são coisas que acontecem na vida. Eu tomei a decisão que entendi como a melhor, sem o interesse de prejudicar ninguém”, disse, lembrando que um juiz bloqueou os bens dos envolvidos na ação civil pública, inclusive do filho do vereador Fauez Salmen. “Nós devemos defender o interesse coletivo e não o de uma família”, disparou.
O tucano voltou à tribuna minutos depois e chegou a questionar até mesmo o assessor jurídico da Câmara, insinuando que o advogado nunca participou de um processo sobre licitação pública. “Não estou aqui para brigar, porque não tenho tempo para isso. A minha revolta não é por contrato, pois graças a Deus sou um profissional de sucesso. O problema é a honra da família e isto não tem preço. Só quem não tem honra ou família não sabe o que ver seu nome lançado na mídia em processo sem julgamento, sem sentença e onde a acusação é falha”, disse. Rebatendo Amaral, Salmen criticou as lideranças de esquerda no Brasil, afirmando que elas tumultuavam quem trabalhava no regime militar. “A maioria tinha processos judiciais”, disse.