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Mulher ganha a vida vendendo papelão

OURINHOS — “Amélia do Papelão” quer participar do “Lata Velha” com sua Kombi 1973



“Amélia do Papelão” circula diariamente no centro com a kombi “Kamboza”
Ela não é candidata a vereadora e nem está pedindo votos pela cidade. Mas é uma figura conhecida no centro de Ourinhos que trabalha sem parar: Maria Amélia Alves, 48, mais conhecida como “Amélia do Papelão”, é catadora de materiais recicláveis há mais de 15 anos.
Com uma velha kombi ano 1973, que “ostenta” uma foto e o lema “trabalho e dignidade”, Amélia conquistou a confiança de empresários. Mensalmente ela garante que recolhe mais de 5 toneladas de papelão das lojas Casas Bahia, Ponto Frio, Magazine Luiza, Pernambucanas e outras.
Na noite de terça-feira, 12, Amélia guardava o papelão na kombi que carinhosamente apelidou de “Kamboza”. O apelido do carro surgiu de uma brincadeira da radialista China Roses, da Divisa FM. “A China passou pela Kombi quando eu estava carregando grande quantidade de papelão. A locutora mexeu comigo, pois até no teto tinha papelão. Parecia que eu ia para o Nordeste”, lembrou rindo. Na frente, a Kombi ostenta um logotipo da Mercedes.
Diariamente, Amélia para na praça Mello Peixoto com a “kamboza” e, indiretamente, ajuda na limpeza da cidade. A catadora retira pilhas de caixas e, com a ajuda dos filhos, coloca tudo na Kombi. “Com esse trabalho, comprei a komboza e um terreno”, conta, orgulhosa.
Mas a catadora disse que os tempos já não são os melhores. “Antigamente eu ganhava R$ 700,00 com este trabalho. Hoje tiro a metade, cerca de R$ 300,00. O movimento no comércio caiu muito. As pessoas já não compram mais eletrodomésticos. Tem muita gente abandonando este tipo de trabalho”, reclamou.
Amélia, porém, não desiste e agora conta com a ajuda de um filho que está trabalhando com carteira assinada. “Ele me ajuda. Com esse trabalho de catadora de recicláveis eu pago a prestação do terreno. Estou pensando no futuro e não me acostumo com patrão. Aqui não recebo ordens e nem tenho que pedir dispensa para cuidar de filho quando ele fica doente”, lembrou.
“Quando você tem filho e ele fica doente, precisa pedir dispensa no emprego e explicar para o patrão o que está acontecendo. Com este trabalho, eu cuido melhor dos meus filhos e da minha casa”, contou.
Aliás, ela nem pensa em abandonar a atividade. “Foi assim que ganhei dinheiro e pude comprar a kombi. Até já me inscreveram no programa Lata Velha do Luciano Hulk. Agora é moda isso, mas eu gostaria muito de ver a Kamboza reformada. Quem sabe eu sou escolhida pela produção”, aposta Amélia, enfim uma mulher de verdade.