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Alunos de Direito debatem a violência

OURINHOS — Direitos humanos, guerras e a instalação de presídio na região foram discutidos na FIO


Barbara Hudson é graduada em economia e mestre e PHD em sociologia
Na última segunda-feira, 11, os alunos do curso de Direito das FIO (Faculdades Integradas de Ourinhos), puderam discutir sobre a questão da violência, desigualdade e justiça com a professora Barbara Anne Hudson. A palestrante é PhD pela Universidade de Essex (localizada no Reino Unido) e professora visitante do mestrado em ciências jurídicas da Fundinopi (Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro), em Jacarezinho.
Apesar da dificuldade de uma palestra em inglês com tradução simultânea, o público se mostrou concentrado para ouvir o que Bárbara tinha a dizer. O sotaque britânico e o uso de termos jurídicos dificultaram para os tradutores repassarem as informações para o português, mas a comunicação acabou acontecendo.
Barbara esteve na FIO pela primeira vez, mas é a quarta vez que ela vem ao Brasil para ministrar aulas no Programa de Mestrado em Direito da Fundinopi, em Jacarezinho. Ela é professora convidada e veio ministrar um módulo no mestrado, participar do grupo de pesquisa “globalização e seus aspectos econômicos jurídicos” e ministrar algumas palestras para a graduação. O roteiro é o mesmo todos os anos, em maio.
A professora participou do debate a convite do professor Maurício Gonçalves Saliba, para falar sobre o tema de suas pesquisas na Universidade de Sessex, na Inglaterra. O estudo dela é sobre justiça e sua relação com os imigrantes, os criminosos e as minorias. A preocupação de Barbara é pela garantia da justiça e dos direitos humanos para os imigrantes que se encontram na Europa, principalmente na Inglaterra, e a injustiça social nos países pobres. A professora, graduada em economia, tem mestrado e PHD em sociologia.

Palestra — A professora comparou algumas atitudes da polícia brasileira, principalmente no Rio de Janeiro, com o terrorismo. “Assisti Tropa de Elite e foi chocante. É terrível que isso aconteça no Brasil. Vocês devem tentar melhorar essa situação através da política. Todo mundo se alegrou quando o muro de Berlin caiu e agora estão criando novos muros no Rio de Janeiro. Isso é similar ao controle de imigração que acontece nos Estados Unidos”, compara.
Sobre as guerras, Bárbara brincou que “o mundo entende que é permitido bombardear o inimigo para encontrar uma bomba”. A professora também salientou que não é preciso utilizar a tortura. “Temos outros métodos. Todos nós temos direito a receber o Direito, independente de ser terrorista ou traficante”, afirma.
Um dos alunos de Direito informou que o País tem o costume de descentralizar a segurança pública e montar presídios no interior, citando o caso de Bernardino de Campos. Ele perguntou se a professora achava justo as pequenas cidades pagarem pelos crimes dos grandes centros.
Bárbara enfatizou que não conhece a realidade do País e que poderia falar pela Inglaterra. “As prisões são construídas onde há poucos empregos e existe demanda econômica para os prisioneiros. Para combater o sistema prisional, é preciso promover o crescimento econômico”, argumenta.
Questionada se o trabalho na prisão ajuda na ressocialização, Bárbara afirmou que essa taxa é muito baixa. “Geralmente a pessoa não consegue sair do mundo do crime e, inclusive, saem piores do que entraram. O que me deixa triste é como estamos tratando os direitos humanos. Meu trabalho não é para os prisioneiros, é pelos direitos humanos”, explica.