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Policial da Dise é preso por porte ilegal de arma

POLÍCIA — Policial Civil da DISE, preso em Ourinhos pela Corregedoria, guardava arma com numeração raspada no armário da própria delegacia



O delegado Amarildo Leal autuou o policial civil preso na segunda-feira
A 4ª Corregedoria da Polícia Civil de Bauru prendeu em flagrante, por porte ilegal de arma, o policial Civil Homero Irineu da Silva. Ele foi detido na DISE (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Ourinhos, na segunda-feira, 11. A prisão ocorreu depois que policiais da corregedoria encontraram um revólver com numeração raspada no armário do policial, localizado dentro da delegacia especializada. Homero era lotado na DISE. O policial foi levado para o presídio da Polícia Civil em São Paulo.
Segundo informações do advogado Jair Ferreira, que acompanhou a prisão, policiais da corregedoria estiveram na residência de três policiais civis. Com mandados de buscas, eles entraram nos imóveis, mas nada localizaram. Em seguida, os policiais estiveram na unidade especializada e revistaram os armários dos funcionários.
O policial preso em flagrante já foi carcereiro da extinta cadeia de Ourinhos. Ele está há mais de 20 anos na Polícia Civil e, após a desativação da cadeia de Ourinhos, passou a trabalhar na DISE. Homero tem bom conceito na Polícia Civil e entre colegas do meio jurídico. “Estou tentando a liberdade do policial. Pedi o relaxamento da prisão”, anunciou o advogado na segunda-feira.
Homero contou ao advogado que estava guardando a arma no armário da DISE porque recebeu-a de um conhecido para ser levada para a Polícia Federal de Marília. “Ele alegou que estava aguardando para levar o revólver para Marília, onde seria entregue para a PF. O Estatuto do Desarmamento prevê a entrega de armas”, alegou Jair.
Segundo informações obtidas no Fórum de Ourinhos, o promotor Silvio da Silva Brandini não foi favorável ao relaxamento da prisão em flagrante do policial. Segundo o MP, a liberdade do policial poderia atrapalhar as investigações. No despacho, consta que a prisão de policial com revólver com numeração raspada é considerado fato grave. A corregedoria da polícia quer saber de quem era o revólver e como a arma foi parar dentro do armário da DISE.
O delegado Renato Cagnacci disse ao DEBATE que não poderia dar declarações, assim como o delegado seccional Luiz Fernando Quinteiro de Souza e o delegado da Dise, Reginaldo Ferreira de Campos. Reginaldo, aliás, demonstrou abalo com a prisão do policial Homero. “Sequer fui ouvido pela corregedoria e estou surpreso com a ocorrência. Mas estou proibido pela Secretaria de Segurança Pública de prestar informações”, afirmou o titular da DISE.
“Propina” — Segundo o DEBATE apurou no Fórum de Ourinhos, há várias denúncias sobre a atuação de policiais da DISE que estavam sendo investigadas há mais de um mês pela Corregedoria da Polícia Civil. O pedido partiu do Ministério Público de Ourinhos.
A investigação começou quando a mulher de um preso apresentou uma denúncia formal ao promotor Silvio da Silva Brandini. A mulher contou que o companheiro dava supostamente dinheiro para três policiais da DISE para que ele pudesse comercializar drogas livremente em Ourinhos. Mesmo pagando a suposta propina, o traficante acabou sendo preso. Revoltada, a mulher denunciou o suposto esquema envolvendo os policiais ao MP.
Depois de ouvir a mulher do preso, cujos nomes não foram revelados pelo Ministério Público, o promotor Brandini passou o caso para a Corregedoria da Polícia Civil de Bauru.
A mulher do suposto traficante também contou que três policiais da DISE estiveram na residência onde o casal mora e fizeram buscas. Os policiais teriam supostamente levado aparelhos eletro-eletrônicos que, segundo ela, nunca mais foram devolvidos. Segundo consta, policiais da corregedoria estiveram nas residências de três policiais para procurar os aparelhos supostamente de propriedade do traficante. Eles não foram localizados e a denúncia ainda depende de confirmação.
O mandado de busca foi assinado pelo juiz criminal de Ourinhos, Paulo André Bueno de Camargo. Em seguida, a corregedoria entrou em ação e, por volta das 7h, já estava de prontidão para entrar na residência dos policiais denunciados.
A corregedoria passou todo o dia apurando os fatos. O policial preso foi autuado na Delegacia Seccional pelo delegado Amarildo Aparecido Leal, com base na Lei do Desarmamento. A pena para o crime varia de 3 a 6 anos de reclusão. As investigações continuam em sigilo.