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Presbiteriana Independente completa 120 anos de S. Cruz

TRADIÇÃO — Mesmo com o forte preconceito, igreja se expande


Pastor Ary, à frente da Igreja Presbiteriana Independente de Santa Cruz
A comunidade presbiteriana de Santa Cruz do Rio Pardo teve várias datas a comemorar em agosto. No dia 12, se comemorou a criação da Igreja Presbiteriana do Brasil, que data de 1859; no dia 13, o aniversário de 120 anos da Igreja santa-cruzense. Além disto, no dia 31 de julho completaram-se 106 anos da Igreja Presbiteriana Independente, e, no dia 9 de julho, comemorou-se os 500 anos do nascimento de João Calvino, cuja ideologia rege os princípios presbiterianos.
A Igreja surgiu em Santa Cruz como Presbiteriana do Brasil em 1889. Os primeiros cultos foram realizados na casa de um dos fundadores. Anos depois, foi construído o primeiro templo da igreja, na rua Marechal Bittencourt, onde hoje é o salão social da instituição.
Em 1903, os membros aderiram ao movimento que pretendia romper a dependência da igreja em relação a recursos externos. Nasceu, assim, a Igreja Presbiteriana Independente (IPI) de Santa Cruz. Na época, os três jornais do município — “O Trabalho”, “O Contemporâneo” e “A Cidade” — noticiavam que a IPI era o único templo evangélico da cidade.
Conhecido popularmente como a “igreja do relógio”, o atual templo só foi construído em 1950. A casa pastoral, erguida ao lado da igreja, foi construída em 1959. O tradicional sino, que soa de hora em hora, continua em funcionamento desde a instalação.
Com cerca de 400 membros cadastrados — que fizeram a “profissão de fé”, um dos sacramentos da religião —, a igreja é atualmente comandada pelo reverendo Ary Sérgio Abreu Mota. Nascido em São Luís (MA), ele fez seminário, nos cursos de teologia e missiologia, durante cinco anos em Londrina (PR), obtendo a licenciatura em Belém (PA). É pastor presbiteriano há 21 anos e está em Santa Cruz desde dezembro do ano passado.
Filho de pai católico, Mota é, por parte de mãe, a terceira geração presbiteriana de sua família. Quando era criança, seu pai convencionou que ele e o irmão mais novo deveriam freqüentar a igreja católica e suas duas irmãs iriam para a Presbiteriana, na companhia da mãe. Um episódio, contudo, mudou a situação. Ary e seu irmão costumavam correr dentro da igreja, durante a celebração da missa, irritando o padre, que mandou-os para casa. Foi então que o pai permitiu que eles frequentassem o templo evangélico. Desde então, Ary nunca mais saiu da igreja.
A Igreja Presbiteriana Independente de Santa Cruz implantou vários projetos sociais, como visitas a moradores do bairro da Divinéia, um dos mais carentes da cidade. A igreja também conta com um veículo à disposição da população carente. Existem também dois escritórios para atendimentos que ficam no atual templo, localizado na rua Quintino Bocaiúva.
Os protestantes já sofreram muito com o preconceito da população. “Antigamente, se uma mãe católica soubesse que o filho brincava com uma criança protestante, logo o proibia de ver esta criança”, diz o reverendo Melquesedeque Brondi, que foi pastor da IPI de Santa Cruz por 28 anos e meio, até se aposentar em 3 de agosto do ano passado. Em 2001, Brondi coordenou o projeto da construção de um segundo templo na cidade, no Parque das Nações.
“Hoje, o preconceito é bem menor. Está até na moda falar que se é evangélico”, sintetiza o reverendo Mota.
A história registra perseguição a Francisco Ignácio Borges, um dos pioneiros de Santa Cruz do Rio Pardo, que teria chegado à região no final do século 19, juntamente com os mineiros Joaquim Manoel de Andrade e Manoel Francisco Soares, tidos como os fundadores do município. Por ser evangélico, Borges foi enterrado fora do cemitério, segundo a família.
Mesmo assim, a religião não parou de crescer. De acordo com o livro “Memórias – Santa Cruz do Rio Pardo”, do professor Magali Ferreira Junqueira, em 1933, 40% da população santa-cruzense era protestante, contra apenas 25% dos católicos ativos.
Para divulgar as ações e os princípios da igreja, a IPI de Santa Cruz faz um boletim informativo semanal — com tiragem de 300 exemplares — e o reverendo Ary também mantém um blog pessoal, o www.almadopastor.blogspot.com na internet.
Hoje, a partir das 19h30, será realizado o culto oficial de comemoração aos 120 anos da igreja em Santa Cruz do Rio Pardo. Estará presente o reverendo Assir Pereira, pastor da sede da igreja em São Paulo. No calendário das festividades relacionadas à data, ainda consta a apresentação do “Quarteto Maranata” — grupo masculino de canto da cidade de Tatuí —, que se apresentará no dia 23, em duas sessões: 9h e 19h30.

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