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Escola de Caporanga tem goteira até em biblioteca

EDUCAÇÃO — Más condições de higiene na cozinha, circulação de pessoas estranhas na escola e grandes rachaduras nas paredes são alguns dos problemas


Coordenadora Edna na sala da biblioteca, com há uma geladeira

A escola do distrito de Caporanga, em Santa Cruz do Rio Pardo, tem sérios problemas estruturais no prédio. Falta de espaço e má conservação do imóvel foram alguns dos problemas encontrados. O vereador Jorge Araújo (DEM) acompanhou a reportagem em visita à escola na semana passada. Após constatar a situação, Jorge disse que a administração deve adotar providências imediatas. Um e-mail anônimo encaminhado ao jornal denunciou o possível descaso na escola. O autor da mensagem relacionou 22 irregularidades, como falta de papel higiênico, condições precárias de higiene na cozinha e trânsito livre de funcionários, comerciantes e qualquer pessoa da rua para a escola. A biblioteca tem goteira sobre estantes de livros. A secretária de Educação de Santa Cruz, Renata Bozzo, analisa o caso.
A reportagem esteve na escola “Biécio de Britto” na tarde de quarta-feira, 9. O prédio comporta a escola municipal “Vila de Caporanga” no período da manhã e, nos períodos vespertino e noturno, a escola estadual “Biécio de Brito”. Um dos problemas é visível na entrada da instituição. Qualquer pessoa tem livre acesso ao interior da escola, pois o portão permanece aberto e não há funcionário. A coordenadora — funcionária do Estado — Edna Nascimento Lázaro explicou que somente à noite o portão é trancado com cadeado.
A secretária de Educação Renata Bozzo explicou que o prédio “é muito antigo” e sequer comportaria uma reforma completa. Segundo ela, o imóvel teria de ser demolido. Renata disse que a troca do telhado — um dos problemas graves, já que causa goteiras na biblioteca — foi providenciada há 3 anos, mas o serviço contínuo de profissionais para trocar antenas de internet danificaram novamente as telhas.
O problema, aliás, interfere na biblioteca da escola, que funciona numa das salas. Numa das estante há um balde para que os livros não sejam molhados. “Faz tempo que estamos com esse problema, mas ninguém arruma. Então, deixo o balde para não danificar os livros em caso de chuva”, explicou a bibliotecária Regina Célia de França Sperto, que trabalha em dois períodos na escola.
“Assim que o funcionário concluir a reforma da subprefeitura, iremos arrumar a escola. No entanto, as crianças não correm risco nenhum”, disse a secretária Renata Bozzo. Segundo ela, a previsão é que a manutenção comece nas férias do final de ano e início de 2012.
Apesar da falta de espaço para leitura dos alunos, na biblioteca há uma geladeira para uso dos funcionários e vários computadores encaixotados. Os equipamentos de informática nunca foram utilizados. “Não temos outro lugar para a geladeira. O prédio comporta três períodos e não há espaço físico”, justificou a coordenadora Edna.
Quanto aos computadores sem uso, Renata Bozzo explicou que não pertencem ao município e fazem parte do programa federal ProInfo. “Instalamos a sala de informática e ficamos aguardando os computadores do projeto federal. Mas como a escola tinha máquinas obsoletas, o governo estadual acabou enviando computadores novos antes da União”, disse Bozzo. Segundo a secretária, na época o MEC (Ministério da Educação e Cultura) foi alertado da situação. “Fiz uma documentação, no início de 2010, para entrega dos computadores. Eles me pediram para deixar as máquinas estocadas para depois redirecionarem. Por isso, não podem ser usadas”, disse.

Jorge Araújo criticou “depósito de computadores” em sala de leitura
O vereador Jorge Araújo (DEM) vistoriou a escola e também vai interceder para resolver o caso. “Farei um relatório e vou conversar com a secretária para que sejam tomadas providências. É preciso dar um jeito na situação da escola, que não tem manutenção alguma”, disse Jorge.
A “Vila de Caporanga” é uma escola de ensino infantil que funciona somente no período matutino. A escola municipal tem 64 alunos e há duas turmas que dividem a mesma sala. “É uma sala multisseriada com o respaldo do Anglo, pois as apostilas são parecidas”, explicou Renata.
Quanto ao fechamento da escola infantil, como aconteceu no Patrimônio de São Roque há dois anos, a secretária garante que não há planos nesse sentido. “Enquanto a escola estiver com demanda de alunos, vamos mantê-la aberta”, afirmou.
Separadas — A coordenadora da escola estadual “Biécio de Brito” enfatizou que, apesar de funcionar no mesmo local da “Vila de Caporanga”, são instituições diferentes. “A nossa escola ficou entre as 100 melhores do Estado no Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) e foi a 1ª na Diretoria Regional de Ourinhos”, afirmou Edna. “Apesar das dificuldades, temos uma equipe muito boa. Os dados apontam isso, mostrando que a escola vai bem. Se tivéssemos uma boa estrutura física, estaríamos melhor ainda”, ressaltou a coordenadora.
A “Biécio de Brito” tem atualmente 110 alunos matriculados no ensino fundamental e médio, com uma sala para cada turma, da 5º série até o 3º ano.