
Jornal surgiu há 30
anos
O DEBATE surgiu em setembro de
1977 em Santa Cruz do Rio Pardo, cidade com 40.919 habitantes
(último censo oficial do IBGE, de 2000) localizada a 365
km a Oeste de São Paulo. O semanário, na verdade,
foi o sucessor de um pequeno jornal estudantil que circulou no
início da década de 70 O Furinho
, fundado por Sérgio Fleury Moraes aos 13 anos de
idade. O Furinho era mimeografado e vendido de casa
em casa pelas ruas da cidade, além de distribuído
em escolas.
Desde o início, o DEBATE adotou uma linha editorial
crítica. Nos seus primeiros anos de vida, o jornal combateu
o regime militar e chegou a ser fichado, em 1979, no Ciex (Centro
de Informações do Exército) como integrante
da chamada imprensa alternativa, que resistia ao regime
de exceção. O Tiro de Guerra de Santa Cruz do Rio
Pardo chegou a receber documentos oficiais do Exército
solicitando várias informações sobre o pequeno
semanário que incomodava o regime militar no interior paulista
e fazia ferozes críticas ao governo municipal, sob domínio
da Arena, partido de sustentação dos militares.
A partir de 1979, o DEBATE teve entre seus colaboradores
alguns expoentes da política brasileira, como Fernando
Henrique Cardoso, Fernando Morais, Flávio Bierrenbach,
José Aparecido e outros. Em 1979, o então sociólogo
Fernando Henrique que foi colaborador do jornal durante
10 anos foi palestrante em Santa Cruz num evento promovido
pelo DEBATE. Naquela ocasião, o então suplente
do senador Franco Montoro foi lançado como futuro candidato
à presidência da República, fato que se consolidaria
nos anos 90, quando FHC deixou de assinar coluna no jornal.
Quando a ditadura ameaçou jogar bombas em bancas de jornais
que vendiam jornais da imprensa alternativa, o DEBATE participou
na Assembléia Legislativa, em São Paulo, de reuniões
do Comitê pela Liberdade de Imprensa para discutir
a nova ameaça. Integravam o comitê, entre outros,
jornais como Pasquim, Versus, Movimento
e outros.
O jornal sobreviveu ao regime militar, se engajou na campanha
das diretas já e se consolidou com o advento
da democracia. Resistiu a concorrência de publicações
financiadas por partidos políticos e grupos econômicos
e a partir de 1996 circulou durante um período como o único
jornal de Santa Cruz do Rio Pardo.
O DEBATE revolucionou a imprensa da região de Santa
Cruz e Ourinhos. Foi pioneiro na adoção de cores
em suas páginas e no lançamento de suplementos especiais.
Se em 1978 o jornal já ousava lançar um suplemento
cultural, na década seguinte houve vários lançamentos,
como o Debate Rural e suplementos infantis.
Em 1995 surgiu o Caderno-D, um suplemento destinado a difundir
a cultura e o lazer na cidade e região.
O DEBATE chega ao novo século com um projeto audacioso:
transformar-se em publicação bissemanária.