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Descruzamento CSN-Vale pode atrasar

Analistas afirmam que notificação judicial do
Banco Opportunity pode emperrar processo
de desligamento entre as empresas

Janira Braga
Rio

Apesar de analistas do mercado financeiro afirmarem que o processo de descruzamento entre as ações da CSN e da Companhia Vale do Rio Doce pode sofrer algum atraso devido à notificação com que o Opportunity entrou na Justiça, a CSN mantém a definição da data de 18 de dezembro para o término das negociações. A notificação do banco é contra a CSN, a Bradespar e a Litel Participações - que acumula os fundos Previ, Petros e Funcef - além de outros grupos que controlam a Vale.

O argumento do Opportunity - que atua representando o Citibank - é a existência de uma cláusula no acordo de acionistas, prevendo que o banco teria direito de adquirir da CSN e da Litel Participações R$ 100 milhões em ações ordinárias da Valepar, a holding que controla a Vale. O banco diz ter direito de exercer esta cláusula e ameaça inclusive pedir a anulação da transferência das ações a que, segundo a instituição, tem direito.

O prazo para o exercício seria de um mês após a privatização, mas o texto do acordo deixa dúvidas sobre a efetividade dessa cláusula. O banco Opportunity quer não só a execução do direito, mas o valor em dólares da operação. Desta forma, a instituição obteria quase o dobro de ações, pois a cotação do real na época da privatização da Vale, em 1997, era quase igual à do real, informam analistas.

Questionada ontem sobre o processo de descruzamento acionário entre as empresas, a presidente da CSN, Maria Silvia Bastos Marques, disse durante um seminário realizado pelo IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia) no Sheraton Rio Hotel, que não comentaria o assunto. "Não vou conceder detalhes da CSN, pois a idéia do seminário não é falar de uma empresa em particular", afirmou Maria Silvia, que também é vice-presidente do IBS.

AÇÃO - Como o Opportunity não obteve êxito em negociações com demais acionistas, entrou com a notificação judicial. O banco ressalta que o Citibank demonstrou vontade de realizar o aporte de capital e, por isso, a CSN e a Litel estavam obrigadas a separar a quantidade de ações ordinárias prevista. O processo de descruzamento, no entanto, não prevê a operação.

Assim, o mercado financeiro acredita que não será possível que o descruzamento Vale/CSN termine na data estipulada pela empresa siderúrgica, porque é necessário primeiro que se resolva a pendência com o Opportunity, que está representando o Citibank. Para as empresas que detêm o controle na Vale - CSN, Bradesco e Previ - o direito de comprar as ações acabou quando os demais sócios integralizaram suas ações.

CSN lidera margem de Ebitda entre siderúrgicas mundiais

Paulo Dimas
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Expansão: Maria Silvia destaca em seminário logística e
parque siderúrgico brasileiros

A presidente da CSN, Maria Silvia Bastos Marques, destacou ontem a competitividade do mercado brasileiro siderúrgico no âmbito mundial, durante o Seminário sobre Siderurgia para Imprensa, realizado no Sheraton Rio Hotel & Towers. A CSN lidera o ranking de siderúrgica com maior margem de Ebitda - geração de caixa operacional - entre as 22 maiores empresas do ramo no mundo, com 40% em 1999.

Nos primeiros nove meses de 2000, a margem da Ebitda da CSN chegou a 39,8% da receita líquida no período. A Ebitda é calculada por meio do lucro bruto menos despesas de vendas, gerais e administrativas, mais depreciação e exaustão. Neste ano, a siderúrgica de Volta Redonda atingiu R$ 966,3 milhões até setembro. Em segundo lugar na colocação da margem de Ebitda entre as empresas do ramo, está a CST (Companhia Siderúrgica de Tubarão), seguida pela Usiminas.

Somente na quarta posição aparece uma empresa que não seja brasileira, a China Steel. Maria Silvia apontou que o moderno parque siderúrgico brasileiro contribui para a competitividade brasileira frente às siderúrgicas de outros países. "No Brasil, temos minério de ferro em abundância e próximo ao mercado", salientou.

Outro fator de destaque apontado pela executiva foi a infra-estutura logística propícia às negociações siderúrgicas, partilhada em um ambiente econômico denso e unindo minas, portos, mercados e plantas. "A siderurgia brasileira possui uma das menores estruturas de custo e com menor dispersão", observou a também vice-presidente do IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia), acrescentando o potencial em expansão da América Latina no setor.

Além destes itens, o setor siderúrgico, por ser dinâmico e inserido no ambiente mais desenvolvido da sociedade e pela possibilidade de retenção de talentos nas boas universidades, está com potencial de crescimento. Maria Silvia lembrou ainda que o desenvolvimento acontece gradativamente; até a década de 70, ocorreram quatro empreendimentos com internacionalização transcontinental do capital siderúrgico, todos no Sudeste.

Durante o primeiro dia de seminário, estavam presentes também o presidente do IBS, Antônio José Polanczyk, o vice-presidente executivo do instituto, Marco Polo de Mello Lopes, o secretário de Tecnologia e Matérias-Primas do IBS, José Ribamar Brasil, a secretária de Economia e Mercado do IBS, Cátia Simões Coelho, além de representantes de siderúrgicas.

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