O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, afirmou que Furnas Centrais
Elétricas, em Angra dos Reis, será privatizada no ano que vem. Ele acha difícil,
porém, que a venda aconteça ainda no primeiro semestre. "É difícil fazer uma
privatização em seis meses", afirmou. Tourinho disse que a medida anunciada pelo
Conselho Nacional de Desestatização que permitirá o equacionamento das pendências dos
fundos de pensão das companhias elétricas terá grande contribuição na preparação da
privatização.
Ele reafirmou que a privatização de Furnas será pulverizada e deve seguir o modelo
adotado para a venda de ações da Petrobras em setembro, incluindo o uso de Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). "Os detalhes ainda estão sendo discutidos, mas
acreditamos que serão mantidas as mesmas cláusulas utilizadas no caso da
Petrobras", disse.
Tourinho afirmou que o governo federal não interferirá no processo de privatização
da Cesp Paraná. "Esta privatização é do Estado de São Paulo. Eu não acho que
tenha de dar sugestões ao Estado", disse. As empresas interessadas na privatização
estão pedindo o adiamento do leilão, marcado para dia 6, devido às pendências
ambientais com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis
(Ibama) em relação ao enchimento do reservatório da Usina Sérgio Motta (antiga Porto
Primavera).
GÁS - Segundo o ministro, as companhias energéticas estão
percebendo que as condições de preço do gás para térmicas no Brasil são muito boas e
podem eliminar a necessidade de uma compensação para o risco de variação cambial.
"No fundo, estão todos entendendo que existe uma grande vantagem no preço do gás
ser indexado ao custo da energia americana e não ao petróleo", declarou o ministro.
Tourinho disse que um fundo para compensação das variações cambiais está sendo
discutido no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Mas as
usinas térmicas previstas para entrar em operação no ano que vem estão garantidas,
independentemente disso", afirmou.