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Cônsul-adjunto de Israel deixa o país
Fuga ocorreu no momento em que seu apartamento,
em Ipanema, era vasculhado pela polícia
Rio
O cônsul-adjunto de Israel no Rio, Arie Scher, fugiu terça-feira para
a Argentina, pelo vôo 1416 da Aerolineas Argentina, às 12h48min, e de lá seguiu para
seu país. A fuga ocorreu no momento em que seu apartamento, em Ipanema, na zona sul, era
vasculhado pela polícia. Ele é acusado, assim com o professor de hebraico Georges
Schteinberg, que está preso, de pedofilia e envolvimento em uma rede de exploração de
turismo sexual envolvendo menores. O cônsul-geral de Israel, Eitan Surkis, porém, disse
que Scher viajou a chamado do Ministério das Relações Exteriores daquele país. A
polícia fluminense pediu ontem a prisão preventiva de Scher.
"Para polícia, ele fugiu porque tem envolvimento com exploração
de menores", afirmou o titular da delegacia de Copacabana, Ícaro Silva, responsável
pelas investigações. O delegado disse que enviará cópia do pedido de prisão
preventiva ao Itamaraty e a Interpol (Polícia Internacional). Como Israel não extradita
seus cidadãos, o cônsul-adjunto deverá ser ouvido pela polícia fluminense através de
carta rogatória. O delegado tem dez dias para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao
Ministério Público.
Scher embarcou normalmente no Aeroporto Internacional Tom Jobim, na
Ilha do Governador, na zona norte, depois de sair do consulado de Israel, na Avenida Nossa
Senhora de Copacabana, 680, na zona sul. A Polícia Federal não impediu o seu embarque,
porque não havia mandado de prisão contra ele nem pedido formal de detenção feito pelo
delegado. "Não pedi para a Polícia Federal detê-lo porque acreditava que ele fosse
se apresentar", explicou Silva. Ele acrescentou que recebeu o telefonema de um
advogado do consulado, informando que Scher se apresentaria para depor.
Já o governador Anthony Garotinho (PDT) disse que a culpa pela fuga do
cônsul foi da Polícia Federal, responsável pelo policiamento de fronteiras, portos e
aeroportos do País. "A Polícia Civil tem responsabilidade secundária",
afirmou.
Diplomata será ouvido hoje em Israel, diz cônsul
O cônsul-ajunto de Israel, Arie Scher vai prestar depoimento hoje a
uma comissão especial do Ministério das Relações Exteriores de Israel, segundo afirmou
ontem o cônsul-geral de Israel no Rio, Eitan Surkis. De acordo com ele, é procedimento
normal do governo israelense chamar de volta ao país diplomatas cuja conduta esteja sob
suspeita. "Temos que lembrar que todos são inocentes até que se prove o
contrário", disse Surkis.
"O Ministério das Relações Exteriores de Israel e suas
representações diplomáticas no Brasil consideram muito sérias as últimas
informações veiculadas pela imprensa sobre o caso envolvendo um diplomata
israelense", disse Surkis em entrevista coletiva ontem, em Brasília. O ministério
enviou Surkis ao DF para reunir-se com diplomatas brasileiros do Itamaraty porque o país
está sem embaixador no Brasil desde de março.
O consul israelense disse que esteve no Itamaraty ontem pela manhã,
mas que não recebeu nenhum pedido dos diplomatas brasileiros. "O Ministério das
Relações Exteriores de Israel reafirma o seu firme interesse em colaborar com as
autoridades brasileiras para a completa elucidação dos fatos", disse. Surkis não
soube responder se o governo israelense retiraria a imunidade dimplomática de Scher, caso
fosse provado seu envolvimento com pedofilia. "Ainda é muito cedo para saber isso e
é preciso investigar, o que será feito pela comissão especial", disse.
A imunidade diplomática não permite que Scher seja julgado pela
Justiça comum. No ano passado, um diplomatada da Geórgia atropelou uma brasileira nos
Estados Unidos e a Justiça americana pediu a suspensão de sua imunidade diplomática
para que ele fosse julgado nos Estados Unidos, o que foi concedido pelo governo da
Geórgia. De acordo com o Itamaraty, o caso terá de ser tratado na Justiça do Rio e o
Ministério das Relações Exteriores não poderá se pronunciar até que seja notificado
formalmente pela polícia do Rio.
Gregori anuncia saída do
Exército da fazenda de FHC
Brasília
O ministro da Justiça, José Gregori, anunciou ontem a saída do
Exército da fazenda da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis (MG),
e rebateu as críticas do governador de Minas, Itamar Franco (sem partido), à ocupação
da propriedade por tropas federais. Gregori disse à tarde que os 320 soldados do
Exército, que foram para a fazenda por causa da ameaça de ocupação do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), estavam deixando o local.
Por intermédio de seu porta-voz, Georges Lamazire, o presidente evitou
comentar a decisão de Itamar Franco de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra
ele, mas ironizou a atitude do governador mineiro. "O Brasil é um só e Minas Gerais
é uma das partes que ele mais gosta", disse Lamazire. Em Belo Horizonte, o
governador mineiro havia decidido interpelar judicialmente o presidente, cobrando
explicações sobre a presença de tropas federais em Minas Gerais.
O presidente está sendo orientado a não responder às provocações
de Itamar, porque a atitude do governador é vista pela equipe do presidente como uma
tentativa de criar fatos políticos. "Ele está criando factóides políticos",
disse um interlocutor de FHC. Por enquanto, a posição de Itamar, que terça-feira enviou
uma carta exigindo explicações do presidente pela presença das Forças Armadas na
fazenda, é vista como um gesto de provocação pessoal.
Os assessores lembram que o governo tem agido em Minas Gerais para
garantir a segurança da fazenda, porque a Polícia Militar de Minas tem feito "corpo
mole". Os assessores jurídicos do Planalto afirmam que o governador mineiro pode
até ter sucesso com uma eventual ação contra a Presidência. "Hoje, você tem
liminar para tudo", disse um deles. Mas o Palácio do Planalto só vai agir
juridicamente quando alguma ação for protocolada na Justiça.
Garotinho diz que lista não será revista
Rio
O secretário da Segurança Pública do Rio, coronel Josias Quintal,
admitiu ontem que houve falhas na elaboração da lista com os nomes dos 353 policiais sob
investigação afastados e afirmou que vai punir os responsáveis pelos erros. O documento
apresentou nomes de policiais mortos, aposentados e absolvidos em processos criminais. Já
o governador Anthony Garotinho (PDT) garantiu que a lista não será revista e que todos
permanecerão em disponibilidade e não serão reintegrados.
"Se alguém conseguir provar sua inocência num processo criminal,
poderá tentar se reintegrar ao Estado, mas certamente na polícia não vai trabalhar,
pelo menos enquanto eu for governador", afirmou Garotinho. Para ele, as falhas
"comprovam como eram lentas as corregedorias" das Polícias Civil e Militar.
SINDICÂNCIA - "Já instaurei sindicância e vou punir
policiais que trabalharam na elaboração da lista e cometeram alguns erros, mas o
importante é considerar que o mérito da ação não se perde em uma pequena falha que
já estamos corrigindo", disse Quintal. Uma nova lista, já com as correções,
ficaria pronta no fim da noite de ontem. "Não vai haver ato de injustiça, e o
importante é destacar a iniciativa corajosa de afastar os maus policiais", declarou.
Segundo o secretário, "serão elaboradas outras listas com novos nomes". |
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