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Investida das montadoras
em rali no Brasil
Na trilha do marketing
Investir em ralis é a nova
arma das montadoras
no Brasil para ressaltar qualidades dos carros
Arionauro
Rogério Louro
Asfalto esburacado e estradas de terra fazem parte do cotidiano dos
motoristas brasileiros. Mesmo as pistas da maioria dos autódromos tupiniquins têm piso
desnivelado. Apesar do cotidiano quase off-road na prática, ralis nunca despertaram muito
interesse no Brasil, enquanto atrai multidões nos vizinhos sul-americanos e na Europa.
Mas a situação está mudando: as provas de rali estão crescendo no país e começam a
chamar a atenção das montadoras. Tanto que marcas como Seat, Mitsubishi, Fiat, Subaru e
Chevrolet já possuem equipes próprias ou apoiam pilotos da modalidade. E no próximo
ano, Hyundai e Toyota devem reforçar este grupo.
"Há alguns anos não tinha ninguém assistindo, agora é nítido
como o público cresce a cada prova", comemora Guilherme Spinelli, piloto da equipe
Mitsubishi Motorsport. A entrada dos fabricantes pega carona no aumento de público e de
cobertura pela imprensa nas provas. Tanto que o Brasil vai até tentar ser sede, a partir
de 2002, de uma etapa do Campeonato Mundial de rali de velocidade. "O rali está
evoluindo no país e as montadoras estão investindo forte", afirma Paulo Becker, da
comissão de rali da Confederação Brasileira de Automobilismo. E o marketing das
montadoras já começa a traçar os pontos positivos do esporte.
"Os terrenos que os pilotos encontram são parecidos com os do
cotidiano de muitos motoristas brasileiros. Isso cria uma identificação com o
esporte", afirma Gedor Vieira, diretor do Grupo Caoa - importador da Subaru e Hyundai
- e responsável técnico da equipe de rali Subaru Lubrax. Poder trafegar em terrenos
parecidos com os das competições, enquanto dificilmente alguém consegue dirigir em um
autódromo, ajuda a cativar o público. Mas as montadoras são unânimes em apontar os
carros como os maiores chamarizes para as provas de rali.
Neste tipo de competição, os carros utilizados são semelhantes,
visualmente, aos de produção em série. "O público identifica o carro com o que
tem na garagem ou vê nas ruas, o que ajuda a divulgar o modelo", explica Carlos
Henrique Ferreira, consultor técnico da Fiat. Mas sob a carroceria parecida com a de
automóveis normais há muitas diferenças. De acordo com a categoria disputada, a parte
mecânica do modelo de competição é toda modificada, os itens de conforto são
retirados e equipamentos especiais de segurança - como banco envolvente com cinto de
cinco pontos e santantônio - são instalados. O Fiat Palio de rali, por exemplo, tem
motor 1.6 16V de 140 cv, contra os 106 cv do carro de rua. Em outro modelo que disputa o
campeonato brasileiro, o Seat Ibiza de rali, a diferença é ainda maior. O modelo tem
motor 2.0 de 286 cv, enquanto o vendido nas lojas é equipado com propulsor 1.6 de 101 cv.
Mesmo que só o visual seja "familiar" em relação aos
veículos de rua, os modelos de rali ainda dão "status" aos carros de
produção normal e a própria marca. "O retorno para a marca é grande. Passa a
imagem de resistência, qualidade e durabilidade", conclui Corinna Souza Ramos,
diretora de marketing da MMC Automotores, importadora da Mitsubishi, que realiza o
campeonato de rali Mitsubishi Motorsport e tem uma equipe que participa do campeonato
brasileiro. Como outras competições automobilísticas, o rali ainda serve para dar uma
imagem de esportividade para a montadora. "O rali agrega emoção, jovialidade e
radicalismo à marca", analisa Alcides Cavalcanti, gerente executivo da Seat, que
possui uma equipe de rali no país.
Mas para marcar presença nas provas e conseguir resultados, as equipes
das montadoras têm investido pesado e não estão fazendo por menos. A maioria das
equipes não divulga os custos, mas a Seat, por exemplo, investiu R$ 1 milhão na equipe.
E esta cifra, segundo especialistas do esporte, reflete os gastos feitos também por
outras marcas. Em meio ao avanço das montadoras, a modalidade acaba lucrando. "Os
fabricantes ajudam o esporte a ficar mais profissional e estruturado. Isso torna a disputa
maior e atrai mais público", comemora o piloto Guilherme Spinelli.
Modalidades variadas
Os rali contam com duas modalidades distintas: regularidade e velocidade.
Na regularidade, os carros precisam manter a média horária determinada pelos
organizadores em cada trecho da competição, registrando tempos pré-estabelecidos. Já
como o próprio nome deixa claro, no rali de velocidade, o mais difundido em todo o mundo,
ganha quem completar todas as etapas de uma prova no menor tempo possível. Como os
objetivos nas modalidades são diferentes, a divisão de categorias também é distinta.
Como na regularidade velocidade não é importante, as categorias para
carros são divididas pela experiência dos competidores. Os iniciantes correm na Turismo,
há uma divisão intermediária denominada Rali e os mais experientes disputam a
Graduados. A única exceção fica por conta da categoria TT - todo-terreno - que congrega
os utilitários e não possui divisão por experiência. Cada categoria tem um tempo
específico para cumprir um mesmo percurso.
No rali de velocidade a divisão é feita por grupos, seguindo normas da
Federação Internacional de Automobilismo. Há o grupo N, para carros com pouca
preparação - sem mexer no motor e câmbio -, e o A, com maior preparação. Os veículos
destes grupos são subdivididos pelo tipo de motorização e tração.
O grupo N também é subdividido em classes de N1 a N4 , de acordo com o
tamanho do motor. Na N1 é até 1.400 cc, N2 até 1.600 cc, N3 para propulsores até 2
litros. Todos aspirados e com tração 4x2. Já o N4 reúne carros com motorização até
2 litros com turbo e tração integral. Estas mesmas divisões são usadas no grupo A, só
que as classes são denominadas A5, A6, A7 e A8. A classe A8 é considerada a F1 dos
ralis.
Instantâneas
O único carro
produzido no Brasil com homologação da Federação Internacional de Automobilismo para
disputar provas do Campeonato Mundial é o Fiat Palio.
O Brasil já foi
sede de uma etapa do campeonato mundial de rali, em 1982, mas a desorganização da prova
fez o país perder o direito de sediar o evento.
As duas marcas
que disputam o título de campeã mundial de rali deste ano, Ford e Peugeot, ainda não
investem na categoria no país.
A Mitsubishi
produz e vende no Brasil uma versão de competição da pick-up L200, denominada L200 R.
A Hyundai
pretende participar dos campeonatos de rali no país com o modelo Coupé.
Nos ralis, os
carros largam de um em um minuto. |
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