“Sempre fui gordinha, mas o problema começou a ficar sério
quando completei 18 anos e nossa família se transferiu da capital, Belo Horizonte (MG), para o interior do Estado. A mudança foi um baque. Tanto que passei apenas dois meses na outra cidade e engordei 15 kg de tão ansiosa e infeliz. Quando voltei, iniciei um regime com médicos.
O efeito sanfona
Consegui eliminar 10 kg em três meses, porém foi uma tortura: a dieta era super-restritiva, o que me deixou deprimida e irritada. Quando parei de tomar a pílula, recuperei o que tinha perdido e, pior, engordei mais 15 kg.
Nessa, cheguei aos 100 kg. Apostei de novo em outro programa com medicação e desisti por causa do meu nervosismo e pelas cobranças alheias. Depois disso, decidi assumir a minha gordura. E assim fiz por muito tempo, comendo, fugindo de fotografias, morrendo de medo de ficar travada na roleta de ônibus. Meu noivo se preocupava com possíveis problemas de saúde. Eu nem ligava e ainda respondia para ele arranjar duas de 60 kg no meu lugar. No fundo, sabia que ele tinha razão. A situação era tal que na hora de comprar as alianças descobri que meu dedo era dois números maior que o dele. A gota d’água veio logo depois, quando tive uma crise de hipertensão por causa da obesidade mórbida. Saí do consultório arrasada e me inscrevi na fila da operação de estômago da rede pública. Enquanto isso, uma colega me convidou para uma reunião do grupo Vigilantes do Peso.
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