Anna Muylaert, premiada em Gramado, fala de seu longa de estréia Durval Discos

Anna Muylaert, 38 anos, estreou na direção se longas com o pé direito. Seu primeiro trabalho, Durval Discos, levou o Kikito de Melhor Longa de Ficção em Gramado 2002 e ela o prêmio de melhor direção. Anna é formada em cinema pela Escola de Comunicação e Artes da USP (SP), e já trabalhou como crítica de cinema em diversas publicações. Seu primeiro prêmio no cinema veio com o curta A Origem dos Bebês Segundo Kiki Cavalcanti (1996), premiado no Rio Cine e Cine Ceará. Trabalhou como roteirista em programas de TV, como 'Mundo da Lua' e 'Castelo Ratimbum'. Nesta entrevista exclusiva ao Cine Guia, a roteirista e diretora fala como foi a concepção de Durval Discos, e a surpresa da premiação em Gramado.O filme, que faz parte da seleção da 26 Mostra BR, estréia em 2003, e conta a história de um solteirão (Ary França) e sua mãe (Etty Fraser), que são obrigados a tomar conta de uma garotinha abandonada na casa deles por uma empregada (Letícia Sabatella). Como um antigo disco de vinil, o filme possui um outro lado.

CINE GUIA: Como surgiu a idéia de fazer o Durval Discos? Você se inspirou em alguém ou alguma situação para escrever o roteiro?
Anna Muylaert: Sim, eu me inspirei no cenário do 'Edgar Discos', que eu freqüentava. Quanto a história em sí, o conflito entre mãe e filho, me inspirei em histórias de família.

CINE GUIA: O quanto tem do Ary França no Durval? Você consegue imaginar outro ator fazendo esse papel?
Anna Muylaert: Quando fiz teste, percebi que cada ator daria um Durval diferente. Uns mais engraçados, outros mais lentos. O Ary foi o Durval que eu escolhi, mas muitos outros poderiam ter sido legais. Quem fez um teste muito bacana, por exemplo, foi o Jairo Mattos, que era outra coisa, mas era bem legal.

CINE GUIA: E quanto à garotinha Isabela Guasco? Como foi o processo de seleção? E como foi o trabalho com ela no set? Como é trabalhar com atores veteranos como Etty Fraser e uma estreante como Isabela?
Anna Muylaert: A Isabela foi escolhida entre 100 candidatas, depois de muitos testes. Teve uma pessoa que ensaiava com ela. Elas ensaiavam durante o dia e na hora de filmar eu era a 'diretora liberal', a pessoa pedia para ela 'esquecer' o que tinha decorado, e se soltar. Foi muito fácil trabalhar com ela, mas eu tinha muito medo que ela empacasse, e isso me estressava muito. Eu rezava todo dia para que ela triunfasse, afinal ela tinha apenas 5 anos!! Não foi fácil. Trabalhar com uma senhora de 70 anos e uma menina de 5 são coisas diferentes, mas o mais difícil era harmonizar todo mundo.

CINE GUIA: O filme impressiona logo na abertura, com os créditos iniciais utlizando placas de rua, letreiros com o nome dos atores e técnicos. Além disso, é um único plano-seqüencia, que passa por diversas ruas de São Paulo. Como surgiu a idéia de utilizar placas, letreiros? E como foi executada?
Anna Muylaert: A idéia surgiu no roteiro. Para ser executada, foram necessários muitos ensaios com uma câmera de vídeo. Depois, no dia, um pouco de sorte para a luz, pois o fotógrafo precisava de um tempo nublado, e foi o que tivemos.

CINE GUIA: Você esperava a boa recepção que o filme teve em Gramado? Como esse prêmio ajuda na distribuição do filme?
Anna Muylaert: Eu rezava por uma boa recepção, e ainda bem que ela veio. Sim, os prêmios interessavam alguns dristribuidores sim, embora ainda não tenhamos assinado com ninguém [até agora, 24/10/2002]. A data de estréia prevista é março de 2003.

CINE GUIA: Quais são seus planos para o futuro, tanto como diretora, quanto roteirista?
Anna Muylaert: Ainda não sei ao certo, mas gostaria de voltar a fazer cinema, assim que ternimar o processo 'Durval'. Estou louca para escrever uma nova história.

25/10/2002

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