Nem só em crise vivem as organizações sociais
DA SITAWI
Que a crise se abateu sobre todos os setores da economia, já não é mais novidade. Alguns sofreram mais, outros, menos, mas a verdade é que ninguém saiu ileso. A grande novidade é que muitas organizações, mesmo com as turbulências do mercado mundial, estão crescendo e aproveitando melhor as oportunidades. Para entender o impacto e o reflexo da crise nas instituições sociais, a sitawi realizou uma pesquisa inédita com algumas das principais organizações do país.
De acordo com o estudo, a maioria dos pesquisados (69%) apontou a captação de recursos como uma das atividades mais impactadas pela crise. A queda no volume de doações só não foi uniforme entre os tipos de doador porque as pessoas físicas mostraram-se mais resilientes do que as pessoas jurídicas. Em ambos os casos, o valor médio da doação caiu mais do que o número de doadores. Apesar disso, o orçamento para as atividades sociais descresceu apenas 11%, em média. Já para as atividades institucionais, o descréscimo chegou a 16%.
Além da queda ter sido mais amena do que o esperado, a pesquisa também revela que, para algumas organizações, a receita deste ano aumentou significativamente em relação ao ano passado. É o caso da Aliança Empreendedora, uma das participantes do estudo.
"Nosso orçamento cresceu mais de 30% em comparação a 2008", confirma Rodrigo Brito, fundador e diretor-executivo da entidade.
Em relação aos projetos sociais, a resposta das organizações à crise evidencia e reafirma o comprometimento delas com a sociedade. Também mantém a capacidade de adaptação e proteção da “atividade fim”. Isso quer dizer que o tamanho do impacto social (número de beneficiários) foi o menos afetado, seguido pela qualidade e também pela quantidade de projetos. Mas a velocidade de implementação dos programas acabou sendo reduzida, o que, para Brito, é justificado pelas expectativas econômicas do país.
A pesquisa também aponta dados relevantes sobre as prioridades gerenciais das organizações durante a crise. Gastos administrativos, por exemplo, foram preventivamente cortados. Mesmo assim, a relação com o emprego foi positiva, já que 32% das organizações não demitiram e 25% contrataram.
Outro resultado interessante da pesquisa está relacionado ao apoio não financeiro de parceiros, que pouco foi afetado. Em tempos de crise e de recursos escassos, essa foi a alternativa encontrada pela sociedade para continuar fornecendo suporte às instituições sociais do país.
Veja no gráfico a seguir os detalhes mais relevantes desse estudo:
Metodologia
A pesquisa foi realizada em maio e junho de 2009 com cerca de 50 organizações sociais (incluindo fundações e institutos) de todo o país. Este é o primeiro de uma série de três artigos que mostrará as características da crise e as perspectivas para o futuro do setor social.
Frase
“Se a situação mundial não se estabilizar até 2010, podemos ter dificuldades (…). Mesmo assim, poderíamos manter nossos projetos no nível atual, ainda que perdêssemos 30% dos patrocinadores.”
RESPONDENTE da "Pesquisa sitawi sobre o impacto da crise no terceiro setor"
Confira no próximo artigo "O que mudou na gestão das instituições sociais com a crise".
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