Claudio e Suzana Padua vencem o Prêmio Empreendedor Social 2009

O casal, mentor do Ipê (Instituto de Pesquisas Ecológicas), é o primeiro da área ambiental a ganhar o concurso no Brasil

foto: Fernando Donasci/Folha Imagem

Os vencedores do Prêmio Empreendedor Social 2009, Claudio e Suzana Padua, do Ipê

CÁSSIO AOQUI
EDITOR-ASSISTENTE DO PRÊMIO EMPREENDEDOR SOCIAL

Na semana em que o mundo volta as atenções para as discussões sobre o clima em Copenhague, um casal que há muito trabalha em campos como o do emprego verde e o de créditos de carbono ergue o troféu do Prêmio Empreendedor Social 2009, em São Paulo.

O administrador e biólogo Claudio Padua, 61, e a educadora ambiental Suzana Padua, 58, após concorrerem com outros 270 líderes sociais de todo o Brasil, sagraram-se o primeiro casal a vencer o concurso, em cerimônia apresentada por Antonio Nóbrega e Pasquale Cipro Neto agora à noite, no Masp (Museu de Arte de São Paulo).

"É uma honra e uma responsabilidade porque aumenta o poder da nossa voz para falar sobre a necessidade de integrar a sociedade, a economia e a ecologia", comemorou Claudio, logo após o anúncio dos vencedores, para uma plateia de 230 convidados, entre representantes do terceiro setor, empresários, acadêmicos, jornalistas, políticos e artistas.

"Fiquei muito feliz principalmente ao saber que sou a primeira mulher a receber o prêmio. A mulher tem um potencial muito grande que muitas vezes não é reconhecido", emocionou-se Suzana.

A dupla de cariocas fundou, em pleno ano da Eco-92, o Ipê (Instituto de Pesquisas Ecológicas), que desenvolve e dissemina modelos inovadores de conservação da biodiversidade com benefícios socioeconômicos para comunidades empobrecidas.

O instituto beneficia diretamente mais de 10 mil pessoas com iniciativas como educação ambiental, pesquisas científicas, agroecologia e desenvolvimento de negócios sustentáveis, em seis regiões do Brasil: Nazaré Paulista e Pontal do Paranapanema, em São Paulo; Baixo Rio Negro, no Amazonas; Portel, no Pará; zonas costeiras do sul de São Paulo e norte do Paraná; e Pantanal, em Mato Grosso do Sul.

Com um orçamento anual de R$ 6 milhões, tem mais de cem parceiros, entre empresas --como a Natura, a Alpargatas e o Grupo Martins--, governo e organizações do terceiro setor, nacionais e estrangeiras.

"A área de atuação dos vencedores não poderia ser mais apropriada dadas as negociações acontecendo exatamente agora em Copenhague. Embora as mudanças climáticas sejam uma forte ameaça, não identificamos empreendedores sociais suficientes com soluções inovadoras nesse campo", ressalta Mirjam Schoening, diretora sênior da Fundação Schwab.

Com a conquista, dedicada aos filhos e aos ipeanos, Claudio e Suzana contarão com visibilidade na mídia, troca de conhecimento e contatos com patrocinadores nacionais e internacionais. Participarão, com as despesas pagas, da Reunião Geral para a América Latina do Fórum Econômico Mundial, em Cartagena, na Colômbia, em abril de 2010, e do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Nesses eventos, terão acesso a CEOs (principais executivos) de empresas multinacionais, presidentes e governantes de países e a outros membros da rede mundial de "Empreendedores Sociais de Destaque" da Fundação Schwab, que, com eles, tem 167 líderes em 38 países.

Também contarão com benefícios especiais, como serviços de consultorias especializadas e bolsas de estudo totais ou parciais em instituições de primeira linha, como Harvard Business School, nos Estados Unidos, e Insead, na França.

"O prêmio vai ajudar a alavancar nosso trabalho e reforçará a parte educativa, além de dá visibilidade para a instituição", concluiu Claudio.

Finalistas

Os finalistas do Prêmio Empreendedor Social 2009 posam com os certificados

Nestes cinco anos de concurso, a Folha recebeu 1.244 inscrições, mas somente 39 empreendedores sociais foram certificados. Além de Claudio e Suzana, os finalistas chancelados pela organização do prêmio neste ano foram: Cláudia Cotes, da Vez da Voz (SP); Erika Foureaux, do Noisinho da Silva (MG); Francisco Alemberg de Souza Lima, o Alemberg Quindins, da Fundação Casa Grande Memorial do Homem Kariri (CE); Luiz Geraldo de Oliveira Moura, do Nepa (Núcleo de Ensino e Pesquisa Aplicada/CE); Nicolau Priante Filho, da Coorimbatá (Cooperativa dos Pescadores e Artesãos de Pai André e Bonsucesso/MT); Rodrigo Castro, da Aliança da Caatinga, Asa Branca e Associação Caatinga (CE); e Rosana Bianchini, do Instituto Kairós (MG).

Seleção rigorosa

Depois de a comissão organizadora --composta pelos jornalistas Cássio Aoqui, Marlene Peret e Patrícia Trudes da Veiga-- analisar 271 inscrições em cerca de 2.100 páginas de informações, foram avaliados, junto com a sitawi (empresa que oferece capital e aconselhamento para impacto social), 400 arquivos de documentos (balanços, demonstrativos de resultados, DVDs, estatutos, folhetos, manuais, organogramas e relatórios de auditoria) em outras 5.000 páginas, e escolhidos 11 semifinalistas.

Em seguida, foram 34 dias percorrendo 11.500 km de avião e 2.300 km por terra em 17 municípios de quatro Estados, gravando 160 horas de entrevistas com os empreendedores e suas equipes, além de apoiadores, beneficiários diretos e parceiros, para produzir 114 páginas de relatórios para o júri escolher, entre 10 finalistas, os vencedores de ambos os prêmios.

Fizeram parte do júri neste ano: Fabio Bibancos, Empreendedor Social 2006 e líder da ONG Turma do Bem; Jacques Marcovitch, professor titular da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) e conselheiro sênior do Fórum Econômico Mundial da América Latina; Luiz Carlos Merege, fundador e presidente do Iats (Instituto de Administração para o Terceiro Setor); Marco Antonio Zago, presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico); Maria Cristina Frias, colunista da Folha; Marina Silva, senadora e colunista da Folha; e Mirjam Schoening, da Fundação Schwab.

No Brasil, a Folha é parceira exclusiva da Fundação Schwab para a realização do prêmio, que tem como apoiadores o Ceats-FIA, o Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, o UOL e a sitawi, com patrocínio da Caixa e da Nestlé.

Com ANDRÉ LOBATO, CLARICE CARDOSO e ROSANGELA DE MOURA, Colaboração para a Folha


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