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Ano Novo
A noite de ano novo sempre me parece mais difícil que a de Natal. A 31 de dezembro Papai Noel já se mandou, e a gente fica meio órfão: pra quem devemos fazer os nossos pedidos para o ano que entra? De quem devemos reclamar os galhos do ano que sai? Do papa, do presidente, do roadie ou do cetroavante?
Essa falta de um encarregado oficial (reforma administrativa?) faz com que a noite de ano novo fique dominada pela 1ª pessoa do singular, fica tudo parecido com aquele papo: "pra mudar o mundo mude, antes, voce mesmo", "pensar globalmente, agir localmente" etc...
Sendo assim, eu me prometo um ano de 1991 muito mais suportável. Não preciso de muito: não quero cair de paraquedas no primeiro mundo (odeio alturas e, principalmente, quedas). Não quero que o Paul Simon descubra o folclore gaúcho. Pra ser sincero, só preciso ter impressão de que a carroça 'tá andando pra frente.
Há alguns indícios de que a coisa pode melhorar: todos os meus amigos que achavam que a única saída para o Brasil era o Galeão já estão lavando pratos em NY ou tocando berimbau em algum país social-democrata de verdade. Se todo mundo que se acha injustiçado por ter nascido no Brasil se arrancar, vai ser uma boa.
Talvez fique faltando gente pra escrever sobre música pop, mas acho um preço justo a se pagar. Barato...quase de graça.
No mais, da minha parte, o ano seria muito bom se o Grêmio foot-blues porto alegrense fosse campeão brasileiro, se os Engºs Hawaii gravassem mais um disco igual aos outros (talvez mais igual do que os outros), se o Henry Maksoud ganhasse em espaço diário na MTV, e se o presidente Collor criasse um Ministério da Educação. Só. Ou quase...
Humberto Gessinger - Rio de Janeiro.
Publicado Originalmente no Jornal do Brasil |
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