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Depois de anos viajando pelo Brasil, descobri que só há uma maneira de escapar das velhas piadas de gaúcho : contar antes.

Esta arma vai ser usada em 2005 contra as piadas sobre segunda divisão. Então, aí vai : eu sei que o ônibus do Grêmio foi multado por estar rebaixado, sei que Gre-Nal vai ser Grêmio e Náutico e que vamos contratar a Hebe pois ela só trabalha na segunda.

Na verdade, entre gremistas não rolam piadas. A obsessão é descobrir por que este raio foi cair na nossa cabeça pela segunda (sem trocadilhos) vez.

A desculpa pela queda varia de acordo com nosso estado de espírito.

Em meio a ataques de paranóia, achamos que foi um complô da CBF para valorizar a segundona. Quando passamos à euforia, nos damos conta de que chegou a chance de ganharmos o único título que nos falta. Em momentos de profunda espiritualidade, nos parece que deveríamos ter tratado melhor aquele pessoal que enterra sapo na pequena área.

Ainda nos resta uma visão macroeconômica : com a falência da parceira ISL, que investiria no clube, ficamos pendurados no pincel.

Enquanto isso, no velho mundo, pedaços do Grêmio se dão muito bem treinando a seleção de Portugal e barbarizando com a camisa 10 do Barcelona. Maldita globalização.

Faltando ainda três rodadas, nosso único interesse no campeonato é saber quem vai cair junto com a gente. Cá pra nós, é dose.

Assisti a todos os jogos e só vi 10 ou 15 minutos de verdadeiro Grêmio. As piores rodadas eram aquelas em que todos os resultados paralelos nos favoreciam mas o time não se ajudava. Pelos menos aprendi um pouco de matemática : se um dia disserem que teu time tem 99,9% de chances de cair, pode crer que ele não escapa.

2004 nunca mais!

Em 2005, estarei com o Grêmio onde o Grêmio estiver. Na arquibancada, usando o Kit Desgraça : boné do Rubinho, camisa do Grêmio e bandeira do PT.

Humberto Gessinger
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