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        Ok, vou ser sincero como não se deve ser :  achei o Vestibular e tudo que ele envolve um saco !  Na melhor das hipóteses, uma peça surrealista fora de hora e sem graça.
        A  escolha apressada e superficial da profissão ... a gritaria dos professores de cursinho ... o cheiro de vela da promessa que alguém da família  fez ... as questões de múltipla escolha tentando resumir todo o conhecimento ocidental pós-iluminismo : Nonsense !
As fórmulas e resumos escritos nas paredes do quarto onde deveriam estar bandas de rock, o time do coração e mulheres maravilhosas ... o portão das escolas fechando inapelavelmente e as reportagens no dia seguinte com alunos que não conseguiram entrar ... a espera dos resultados ... as contas do que se precisa na prova seguinte : Nonsense ! 
Absurdo como decidir um campeonato nos pênaltis. Todas as potencialidades resumidas numa única habilidade : marcar o "xis"no lugar certo.
        Numa cena sintomática deste filminho de terror, o rádio me avisou da estúpida morte de John Lennon. Assassinado numa tarde em que eu estudava biologia, preservação da vida.
        Para o bem da humanidade e do alto dos meus 43 mil anos de idade, é meu dever transformar este limão em limonada, passando minhas experiências para as novas gerações numa lista do que eu fiz e deve ser evitado :
        1-  não mate aulas para ficar namorando guitarras que não sairão da vitrine da loja para tuas mãos.
        2-  não tente suicídio quando aquela menina abandonar o cursinho e for morar em Floripa.
        3-  Meia xícara de café preto não vai segurar sozinha tua onda alimentar no dia da prova.     
4-  Não faça a prova correndo, em 10 minutos, por medo de que algo horrível  aconteça : um tsunami ... uma crise de catalepsia ... uma necessidade brutal de passar algumas horas no banheiro ... a invasão do Brasil por forças conjuntas de W.Bush e Hugo Chavez.
Relax ! Respire generosamente.
        Lembre-se : passando ou não no Vestibular a vida volta a sua normal anormalidade no dia seguinte.
        Conheci pessoas que passaram pelo funil para a Escola de Arquitetura onde encontraram amigos espertos, engraçados e sensíveis. Acabaram montando uma banda
cujo nome brincava com os caras da engenharia que pegavam onda : Engenheiros do Hawaii.  Finalmente, por vias tortas, encontraram o bom combate.




Humberto Gessinger
Porto Alegre - Junho de 2007
 
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