discos oficiais  
 
Humberto Gessinger Trio
BMG | 1996

1. irradiação fóssil cifras letra
2. sem você (!é foda!) audio cifras letra
3. a onda cifras letra
4. o preço audio cifras letra
5. freud flintstone cifras letra
6. vida real cifras letra
7. causa mortis cifras letra
8. ?pra quê? cifras letra
9. de fé audio cifras letra
10. bola da vez cifras letra
11. ela sabe cifras letra
12. a ferro e fogo cifras letra



   clipe  |   áudio  |   cifras  |   letra
ficha técnica

HUMBERTO GESSINGER: BAIXO E VOZ
LUCIANO GRANJA:GUITARRA E VIOLÃO
ADAL FONSECA:BATERIA E PERCUSSÃO

produzido por NILO ROMERO

efeitos HUMBERTO GESSINGER e NILO ROMERO
violão em VIDA REAL HUMBERTO GESSINGER
baixo em VIDA REAL e O PREÇO NILO ROMERO
dobro em VIDA REAL LUCIANO GRANJA
uma das guitarras em ELA SABE BILLY BRANDÃO
órgão hammond em DE FÉ e O PREÇO,
piano rhodes em VIDA REAL MAURÍCIO BARROS
congas em DE FÉ LÉO LEBONS
pandeiro em DE FÉ e O PREÇO TOM SWIFT
pandeiro em ELA SABE NILO ROMERO
violoncelo em FREUD FLINTSTONE LUI COIMBRA
coro em IRRADIAÇÃO FÓSSIL, CAUSA MORTIS e SEM VOCÊ (!É FODA!) HUMBERTO, LUCIANO,
ADAL, NILO, CACAU e VALADÃO

roadie JORGE VALADÃO
demo gravada e mixada por ALEXANDRE "MASTER" ALVES
força no início do 33 espadas ÁLVARO NASCIMENTO
videos de SEM VOCÊ (!É FODA!) e O PREÇO XOCANTE
goleiro e centroavante FAYA e AFONSO
ela sabe AVA, ADRI, CLARA, NANINHA, TUTI e BAMBINA

GRAVADO EM JUNHO/96 NAS NUVENS (RJ)
por EDUARDO COSTA e NILO ROMERO
assistentes de gravação
MÁRIO LÉO, MARCO AURÉLIO e BRUNO LEITE
assistente de produção CACAU
MIXADO no EAST SIDE SOUND STUDIO (new york)
por TOM SWIFT,
NILO ROMERO e HUMBERTO GESSINGER
2nd engineer FREDERICO PANERO
MASTERIZADO por RICK ESSIG
no FRANKFORD WAYNE MASTERING LAB (new york)

LUCIANO agradece: Ricardo Horn, Frejat, Valadão, Paulinho Moska,
Tchê e Dante Jr pela força com o equipamento.
ADAL agradece:
Alexandre Fonseca e Paulinha Nosari.

projeto gráfico HUMBERTO GESSINGER
execução ANDRÉ TEIXEIRA
fotos do trio DARIO ZALIS
coordenação gráfica EMIL FERREIRA
direção artística SÉRGIO DE CARVALHO
produção executiva GIL LOPES e CARMELA FORSIN

agente SHOWBRÁS
 

release


HUMBERTO GESSINGER TRIO

“Com 32 anos e nunca tinha dito baby numa música...Dizer baby no rock brasileiro com naturalidade é muito difícil. É que nem falar palavrão no cinema nacional”, compara Humberto Gessinger. Dia 24 de dezembro, ele chega à idade de Cristo, a chamada idade da razão. Não escreveu livro (nem pretende) e não plantou árvore, mas já teve uma linda filhinha, firmou-se como líder de uma das mais importantes bandas do país e... Colocou baby numa canção do primeiro disco de sua nova banda - que era para se chamar 33 de Espadas (um lance de jogo de truco) e acabou sendo simplesmente Humberto Gessinger Trio.

O baby de Humberto tinha de ser um baby distanciado, metalingüístico. “Na hora da canção em que eles dizem baby/Eu não soube dizer”, canta o gremista em Vida Real.

Humberto Gessinger continua o mesmo. Quer dizer, mas ou menos o mesmo. “Sempre me disseram que nasci velho. Contudo, já fui muito mais velho do que sou hoje. Com o tempo, a gente deixa de se sentir o super-homem, fica atento à inércia” explica ele.

A primeira música do disco, Irradiação Fóssil, fala de estrelas que já morreram/ mas continuam brilhando espaço afora. O engenheiro-chefe sentiu a necessidade de se testar novamente. “Todo mundo tem de estar atento para não irradiar inércia, já tendo a estrela morrido.” Este disco é meio para sacar isso, se tenho ainda a centelha. “Insegurança?” Claro. Das mais saudáveis. Picasso devia ter essa insegurança.” O HUMBERTO GESSINGER TRIO, longe de ser um trabalho solo em que o artista escolhe músicos, produtor, estúdio e condições sempre sonhadas, é um desafio auto-imposto. “Queria tocar em boteco, trabalhar em trio, fazer uma coisa mais crua e mais ágil. Adoro as limitações do formato”.

Humberto diz que este disco de banda, um disco pra cair na estrada com a banda.

Pois então, ei-la: o baterista Adal Fonseca, 23 anos, porto-alegrense, músico de estúdio, ex-Rio Sound Machine, e o guitarrrista Luciano Granja, 22, também de Porto Alegre, que ‘estudou em Los Angeles/ mas graças a Deus não aprendeu nada lá, é puro rock & roll”. Mito de criação? Nenhum. “fui colega de um irmão do Adal, que também é um puta baterista, o Alexandre, ele toca com o Pepeu. O Luciano, o Adal me indicou”.

Modelos? Nem Rush, nem Police. “O referencial de trio dos guris é Van Halen. Aliás, eles são muito mais classic rock do que eu. São muito mais conservadores em relação a instrumentos e efeitos”. Os fãs, acostumados ao estilo minimalista de Augusto Licks, vão tomar um susto ouvindo riffs metálicos como os que delineiam A Ferro E Fogo e Irradiação Fóssil. “Não tem como dourar a pílula com essa formação, tem de ser meio Mike Tyson, bate e vai”.

Contaminado pelo sangue bom novo, Humberto está mais relax como letrista, “menos preocupado com o acabamento formal”. Nenhuma das músicas ultrapassa os três minutos e meio de duração. Lembrando um pouco os verdes anos dos Engenheiros. Aliás, uma das músicas incluídas no disco, Causa Mortis, constava do set list do primeiro show da banda, num happening organizado na Faculdade de Arquitetura da UFRGS em janeiro de 1985. “O Adal e o Luciano são meio Beavis & Butthead, eu sou o tio deles. O Luciano chegou a ser barrado num show do Engenheiros porque era menor de idade. Mas acho que eles estão pervertendo o tio. Pelo andar da carroça, daqui a pouco tô que nem aqueles coroas que paqueram a colega da filha”.

A idéia inicial não era gravar tão cedo. Os primeiros ensaios aconteceram há pouco mais de um ano e a estréia foi em março no Ballroom, casa de shows de médio porte no Humaitá (no Rio). Mas Humberto não resistiu. “Não sei fazer a coisa light, não sei jogar amistoso. Não dá pra entrar com o pé frouxo.” Com o ouvido privilegiado de Nilo Romero na produção, o disco saiu rapidinho, a tempo de saciar a fome de estrada dos três amigos. “A gente quer poeira, andar de ônibus”, enlouquecem eles. Entonces, que vengam los botecos de Brasil!


HUMBERTO EXPLICA FAIXA A FAIXA

Irradiação Fóssil – “Tinha essa pronta pro disco passado dos Engenheiros, mas nem mostrei pro pessoal. Esse trio é pra sacar se a irradiação é fóssil ou se a estrela ainda tem brilho. Não quero ficar fazendo discos, partículas de plástico para poluir o planeta.”

Sem Você (É Foda) – “Essa é rápida, simplezinha, foi a penúltima que pintou. O Nilo pediu mais músicas e ela saiu, como diria Caetano, como som de Tim Maia. A letra é bem direta, sem sutileza.”

A Onda – “É um grande jingle, foi feita no baixo. É aquela coisa da onda ser muito maior do que o surfista. Ele pode até aparecer para as meninas, mas quem manda é a onda.”

O Preço – “Foi a última a sair. A gravar em voz e violão, aí o Nilo pegou o baixo, o Luciano fez a guitarra e o Adal correu atrás. Acho ela meio Infinita Highway, talvez por causa do tom. O refrão é fofinho pra caramba: pago meus pecados/por ter acreditado que só se vive uma vez...

Freud Flintstone – “Um grande trocadalho, essa caberia no Engenheiros. É a mistura do lado Freud com o lado do homem das cavernas, o racional e o irracional. Fiz depois de ver um dos meus filmes prediletos, Sangue e Areia, depois da cena final, da morte do toureiro na arena. Ela é triste pra caramba. Tem essa coisa da morte ao vivo, do ídolo devorado, Kurt Cobain...”

Vida Real - “A harmonia é meio mineira. Tinha essa música há muito tempo sem letra, mas ela era baby pra caramba. Acabei colocando um baby pela primeira vez numa música minha. Ia ter solo de gaita, mas preferi assim, singelaça”.

Causa Mortis – “Serial killer song. Estava no primeiro show do Engenheiros. Engraçado como tudo deu uma volta, o clima agora está muito parecido com o do tempo em que a gente surgiu. Tá uma maravilha, as pessoas mais abertas, fica muito mais fácil tocar música inédita”.

?Pra Que? – “Essa é engraçada, me veio a letra no meio de um show. Sempre achei que esse negócio de repente era mentira. Cheguei ao hotel e anotei. Veio tão direta que achei: isso aqui deve ser plágio de alguém. Belchior deve ter falado isso em alguma canção... Aí saí mostrando e perguntando pras pessoas: Alguém já fez isso daqui? Todo mundo disse: Que eu saiba não. A música saiu numa jam, depois formatei. O grande lance é a formatação. A espontaneidade é muito perigosa”.

De Fé – “Baladona, é das mais simples. Eu só tenho você/ (...) Tenho medo de te perder. É muito direta”.

A Bola da Vez – “Freqüentava muito o Clube do Taco, em Copacabana. A sinuca é um jogo sensacional, porque a graça não é ganhar. O lance é ficar pela bola da vez no final. É uma coisa meio masoquista. Perder nem é tão ruim, porque tu sabes que a bola da vez sempre volta”.

Ela Sabe – “Esse começo parece mais Barão do que Engenheiros. Ela é minha mulher, minha mãe, minha filha, minhas duas irmãs... Perdi o pai na adolescência, elas seguraram a barra. Os homens escrevem os livros, os compositores clássicos são os homens. É muito humilhante: veja só o que a Madonna tem de fazer pra ocupar o espaço dela. Uma das minhas compositoras favoritas é a Joni Mitchell. É uma pena que a onda de Alanis Morrisette e Tori Amos ainda não tenha chegado no Brasil. Aqui tem só as filhas da Maria Bethânia”.

A Ferro E Fogo – “Um riff pesadão do Luciano; só formatei e fiz a segunda parte. É daquelas músicas que ficam legais logo no primeiro ensaio. Fala sobre teimosia, sobre resistir, sobreviver no meio musical. Me dei conta de que sou um sobrevivente. As coisas nunca foram fáceis pra mim e pro Engenheiros”.


| voltar |

www.engenheirosdohawaii.com.br © 1996-2009 enghawnet - última atualização - 30|09 02:23 livre acesso