discos oficiais  
 
Longe Demais das Capitais
BMG | 1986

1. toda forma de poder audio cifras letra
2. segurança cifras letra
3. eu ligo pra você cifras letra
4. nossas vidas cifras letra
5. fé nenhuma cifras letra
6. beijos pra torcida cifras letra
7. todo mundo é uma ilha audio cifras letra
8. longe demais das capitais cifras letra
9. sweet begônia cifras letra
10. nada a ver cifras letra
11. crônica cifras letra
12. sopa de letrinhas audio cifras letra



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ficha técnica

Humberto Gessinger: voz & guitarra
Marcelo Pitz baixo
Carlos Maltz: bateria

gravado e mixado em 1986
nos estúdios RCA - SP
produzido por Reinaldo B. Brito

direção artística: Miguel Plopschi
direção de produção: Guti
coordenação de produção: Reinaldo B. Brito
técnicos de gravação: Pedro Fontanari Filho, Walter Lima, Claudio Coev
tecnico de mixagem: Pedro Fontanari Filho
auxiliares de estúdio: Waldir Quaglio, Francisco Lopes Martinez
supervisão de áudio: Gunther J. Kibelkists

capa
idealização: Carlos Maltz e Eurico Salis
coordenação e fotografia: Eurico Salis
direção de arte: Roberto Silveira
coordenação gráfica: Tadeu Valério

participações especiais
Manito (os incríveis) - sax em Segurança
Nei Lisboa - voz em Toda Forma de Poder


release


LONGE DEMAIS DAS CAPITAIS

O palco da faculdade de arquitetura de Porto Alegre é um lugar de Karma. Foi ali que na década de 60 aconteceram os festivais universitários da canção que jogaram protestos no ar da pacata cidade.

Em 69 um grupo chamado Succo promovia Happenings com ovos, galinhas, tomates e talco no palco. (Hippies?)

Praticamente todos os caras que fizeram os 70 no sul se apresentaram ali: Carlinhos Hartilieb, Saracura, Primeira Manifestação da Peste, Bixo da Seda, Uma mordida na Flor, Em Palpos de Aranha, Inconsciente Coletivo, Mantra, Utopia, Nei Lisboa..... (hippies??)

Se apresentaram por ali pela primeira vez em 11 de janeiro de 1985, um dia quente, verão de Porto Alegre, três caras da faculdade no palco.

Os punks Replicantes são a onda da cidade em 85. Os Engenheiros não são punks.

A banda está lançando um LP pela RCA , chamado Longe Demais das Capitais. São doze faixas e o resumo de dois anos de asfalto pelo Sul do Brasil. Um país a parte, vivendo entre leis do passado e a ausência do futuro.

Estar Longe demais das Capitais não é só geografia, é opção. Colônia da colônia, Porto Alegre é província de São Paulo, que é província de Nova York, que é província .....

Sonoridades diferentes, antigas, pessoas antigas, instrumentos antigos, estúdio pré-histórico. É um lugar decente.

No Brasil todos se preocupam com a modernidade, estar sintonizado, a influência correta, a citação exata, o Batalhão dos bem informados, talvez todos acreditem que vão virar potência e exportar cultura. Nós não vamos exportar nada (o Sul só exporta sapatos). Em PoA é melhor falar a verdade .

A Engenharia Hawaiana é fruto de uma ironia latente. Sempre esteve no ar desta comarca. Poucos espaços, pessoas desconfiadas, uma Burguesia decadente e orgulhosa gerou seu próprio mal: cinismo. Os ENGENHEIROS “tiram sarro de você que não faz nada”. Os políticos falam em voltar aos bons tempos em que o Rio Grande era o celeiro do Brasil e exportava caudilhos.

Os Enghaw não conheceram bons tempos, apenas observaram o fim da festa ... com um sorriso triste nos lábios.

NÃO confundir dom os DARKS (em Poá todos são Darks pelo menos dois meses por ano).

Dark é choradeira chic. ENGENHEIROS são apenas causísticos. Bebem pouco (só tomam cerveja em lata), podem confiar suas filhas a saírem com eles a noite, são inofensivos e bem educados. Provincianos.

Das influências:

1. Pink Floyd, Bob Marley e outros 70´s
2. Nei Lisboa e outros de Poá
3. Mídia em geral (política em particular)
4. Algunes beats
5. J.P.Sarte, A. Camus e outros franceses
6. Mario de Andrade, Oscar Niemeyer e outros modernos.

As Revoluções estão ficando raras (o tropicalismo teria sido a última?) é difícil causar mal estar, os punks viraram suco há muito tempo. A inteligência (onde andará?) - todos são espertos, tudo acaba em antropofagia, só o cinismo salva, os modernos tinham razão.

Estamos de passagem (tudo passa), não viemos amarrar cavalos em obeliscos. Não há mais invasões. No me gustan las playas de Brasil. Não há (nunca houve) ilusão de sucesso – ser gaúcho já nos torna “Gauche na vida”. Viemos falar da nossa aldeia pra quem quiser ouvir, depois rumamos para o Sul. Já dizia o grande Mario Quintana:

“Provinciano é quem sai da província”.



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