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discos oficiais |
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Minuano
BMG | 1997
| 1. banco |
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| 2. a montanha |
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| 3. faz parte |
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| 4. sem problema |
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| 5. 3 minutos |
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| 6. nuvem |
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| 7. nove zero cinco um |
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| 8. deserto freezer |
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| 9. alucinação |
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| 10. a ilha não se curva |
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| 11. humano demais |
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| 12. outros tempos |
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clipe | áudio | cifras | letra |
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ficha técnica
produzido por NILO ROMERO
gravado e mixado no inverno de 1997 no estúdio MEGA, rj
vozes HUMBERTO GESSINGER
baixo HUMBERTO GESSINGER (NILO ROMERO em NUVEM)
guitarras e violões LUCIANO GRANJA (BILLY BRANDÃO em SEM PROBLEMA)
teclados LÚCIO DORFMAN e HUMBERTO BARROS (HUMBERTO GESSINGER em NUVEM, LÉO FERNANDES em 3 MINUTOS)
acordeon (A ILHA NÃO SE CURVA) HUMBERTO BARROS
bateria ADAL FONSECA (KADU MENEZES em NUVEM e 9051)
pandeiros NILO ROMERO
percussão (DESERTO FREEZER e OUTROS TEMPOS) RAMIRO MUSSOTTO
programações NILO ROMERO em 3 MINUTOS e 9051, RAMIRO MUSSOTTO em OUTROS TEMPOS, CARLOS TRILHA em ALUCINAÇÃO
cordas (NUVEM e FAZ PARTE) JAIRO DINIZ, GLAUCO FERNANDES, LÉO ORTIZ, LUI COIMBRA (arranjo), PATRÍCIA VERGARA (regência) participação especial KLEITON RAMIL (violino em A MONTANHA)
direção artística JORGE DAVIDSON
técnicos MÁRCIO GAMA e RONALDO LIMA
assistentes MÁRCIO THEES e MARCO AURÉLIO
mixagem MÁRCIO GAMA e NILO ROMERO
edição digital FLORÊNCIA SARAVIA
gravações adicionais feitas no estúdio NR/rj
masterizado por RICARDO GARCIA no estúdio MAGIC MASTER/rj
assistente de produção CACAU FERRARI
roadie IRAN ALVES
capa LUIS STEIN
fotos ADRIANA PITIGLIANI
assistente de arte DANIEL DE SOUZA
produção executiva GIL LOPES e CARMELA FORSIN
agente SHOWBRÁS fax (5521) 259 4192
e-mail showbras@ax.apc.org
FF caixa postal 6063 Porto Alegre, RS cep 91031-970
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release
por Melissa Mattos
Florianópolis, 15 de agosto de 1997.
Caro Humberto.
Estava aqui pensando... Tentando achar uma definição pro que é "ser fã". No dicionário diz "admirador exaltado"...mas não sei... O que é ser fã afinal? Onde será que isso começa? Porque será que começa? Lembro-me bem da primeira vez que escutei Engenheiros, (nem sabia que era Engenheiros, nem sabia o que era engenharia!). A minha prima com o vinilzão na vitrola, e eu, com oito ou nove anos (louca pra mostrar o que aprendi na escola) disparei: "Pô! manda uma carta pra esse moço aí e diz pra ele que eu sei que as nuvens não são de algodão! As nuvens são de água!". Hoje até acho engraçado ter dito aquilo. Minha prima ficou brava... eu também ficaria! Mais ou menos um ano depois (eu já tinha quase dez), minha irmã chega em casa com uma fita...e Infinita Highway. Fiquei completamente fascinada! Andava pra lá e pra cá com o walkman mostrando pra todo mundo. É incrível como essa canção toca as pessoas. Até hoje, na home page, as músicas preferidas são: 1º Infinita Highway ao vivo e 2º Infinita Highway em estúdio. É difícil definir que elemento exato me despertou esse fascínio. Não sei dizer. Cada vez que a escuto me dou conta de algo que havia passado desapercebido. Tem tantos modos de se escutar essa canção! Infinita também foi responsável pela minha primeira aventura musical. Desentoquei o violão de trás do armário e fui seguindo aqueles livrinhos de papel jornal que trazem letras cifradas de alguns artistas... e como eu sofri com aquele dó sustenido menor! (na época: cê com coisinha eme)... Porque as pestanas são tão difíceis quando se é iniciante?! E o pior! passado o dó logo veio o fá sustenido menor!!... Tudo certo, tudo bem, no baixo foi a segunda... atrás de Toda Forma de Poder. Comigo começou assim...
Infinita me conquistou, me cativou... Os Engenheiros me cativaram... Tem aquela história do Exupéry... de se tornar eternamente responsável por aquele que te cativa... Acho que é isso. Ser fã é mais ou menos isso. Esse sentimento... essa vontade de estar sempre por perto..."olhos atentos a todo movimento"... de saber o que está acontecendo. Aí a gente chora, ri...fica bravo, manda carta pra revista xingando críticos... sente as perdas e aplaude as vitórias... "olhos atentos a todo movimento..." E já aconteceu tanta coisa não é mesmo? Já se foi quase dez anos de quando descobri os Engenheiros... Vocês já com treze... todos mudamos. Me passa como um filme, como um flashback: O muro caindo... "Alívio Imediato"...a guerra do golfo, o Rock'n Rio II. Aquela versão de Help... "O papa é pop" e a Náusea do Sartre - descobrir (de verdade) que as nuvens não são de algodão. Escolher uma profissão... "Várias Variáveis", gente indo e chegando, "Gessinger Licks & Maltz".. Meu primeiro voto, meu baixo..."Filmes de guerra canções de amor". "A conquista do espelho" e o primeiro Camus. Assistir o "the wall"... a home page, o primeiro emprego. Gente saindo e gente entrando, 17 anos, Freud Flintstone, ouvir o "Minuano". ...Ouvir o Minuano...
Engraçado... Um dos motivos que me fez te escrever foi justamente esse: falar sobre o disco...mas... é tão difícil. Digo, as canções não são feitas pra que se fale delas, é difícil tentar exprimir em palavras o que só a melodia já subentende. Qualquer coisa que se diga vai sempre ficar abaixo do que é verdadeiramente a canção. Aahhh!.. esse talento e essa tarefa de verbalizar o indizível é de vocês artistas...de vocês poetas. No entanto, não posso deixar de te dizer o quanto este disco me tocou. É justamente o que falava antes, de que já aconteceu tanta coisa... e nem todas foram boas, mas continuas ai, defendendo a tua arte... "inimigos na trincheira, guantanamera militar e a ilha não se curva as águas turvas desse mar". Isso é tão importante. Integridade. Apesar dos pesares continuar seguindo o teu caminho, se mostrar humano. Mostrar que o ser humano, o artista é maior do que os mitos que as pessoas criam em sua volta. "não é ciência exata, não acontece em tempo real, é demais. !humano demais!"... "um big mac...macktub..drops de Deus... filosofia fast food !nada pode ser maior"... Essa canção, "Humano Demais" é linda. É uma catarse pessoal. Pode alguma coisa soar tão forte e sensível ao mesmo tempo? Definitivamente sim...o Minuano é assim. Como definiu o Scliar: "(...)Aqui no sul, você sabe, o clima é regulado pelas massas polares que nos chegam das planícies da Patagônia, desolado lugar em que muitos exploradores deixaram suas ilusões. No inverno, vem de lá um cruel vento que nos enregela ate os ossos. No verão pelo contrário, não vem vento algum - e aí sufocamos na atmosfera quente, úmida, abafada. Mas a primavera nos traz, com cordiais saudações um ventinho leve, amável, que arrebata chapéus e desalinha os cabelos das senhoras elegantes(...)". É isso...o Minuano é assim... As canções...as letras...tão lúcidas, existenciais, de uma sensibilidade e forma despudorantes... E a força da base dos guris... (ora, veja só, eu, com míseros 17 anos chamando eles de guris..) As guitarras do Luciano, tão fluidas e melódicas... O Adal...o jeitão dele tocar parece aqueles garotos que ficam 12 horas por dia trancados no quarto estudando bateria. O Lúcio...daqueles que estuda piano clássico e toca Beatles..."O pop não poupa ninguém" O Minuano é assim...como o minuano... Me traz a imagem de alguém num pampa...o corpo flutuando entre o verde da terra e o azul do céu, o olhar perdido numa curva qualquer, sem passado nem futuro... só a brisa contra o rosto, uma melodia na cabeça. A cabeça mergulhada numa vida qualquer, sem passado nem futuro...um "deserto freezer"!. É isso! "É um navio fantasma, um cemitério de automóveis, é um deserto freezer, 0 kelvin, perfeição". Alias, o arranjo dessa faixa é tão gauchão que é capaz de vocês serem eleitos vereadores no Rio Grande! Parece que tocar com os guris do trio tem isso. Uma liberdade maior... tem "Banco", que é quase um rockabilly, "Outros Tempos", que é rock progressivo puro, tem pop, tem balada, tem rock e tem milonga, e o que é mais incrível: sem soar dissonante! O disco é todo amarradinho, coeso. Todas essas "facções" músicais alinhavadas com teu estilo de compor, de tocar baixo... canções com sotaque gaúcho sem soar caricato, simples e de coração. Iihhh... tem tanta coisa bonita!! "3 minutos" e "Nove Zero Cinco Um" transbordando urgência. "Só acredito no que pode ser dito em 3 minutos"... "Nuvem" e "Faz Parte" vão dando continuidade a saga dos baladões ardidos... A primeira me remeteu diretamente aos tempos de "Piano bar", "Refrão de Bolero", "No inverno fica tarde mais cedo".... tem todo aquele teu estilo de tocar piano. "Faz Parte" com o arranjo de orquestra é Beatles puro. Tem também "Sem Problema" e "A Montanha"... essas são difíceis de definir, não são baladas nem são rocks! A Montanha é uma viagem, parte pelo belo violino do Kleiton, parte pela melodia, e mais ainda pela letra. Me faz acreditar que conheces o caminho da felicidade. Que ela está ali guardadinha "nem tão longe que eu não possa ver, nem tão perto que eu possa tocar" , "no alto da montanha num arranha céu"... "A Montanha" é desses lugares onde se constrói utopias, onde se vive sonhos. "sem final feliz ou infeliz, atores sem papel". Uma desses lugares (quem sabe pessoas?) em que se encontra Alívio Imediato" Já "Alucinação" é um caso a parte. Acho que alguém errou nessa historia. Aquela música é tua! O Belchior que fez porque chegou antes. É mais que a letra... o estilo, é a interpretação. Estou convencida. "Alucinação" e tua mesmo... e no fim das contas acaba por resumir todo o momento: "amar e mudar as coisas me interessa muito mais" ... não é isso? não é esse o momento? ...Bom... Não sei ao certo se algo do que escrevi corresponde a verdade da tua criação... posso ter seguido outros caminhos, ter uma interpretação completamente aquém do sentido que quisesses dar a tua arte, mas como fã afirmo com conhecimento de causa: Dos motivos que fazem com que alguém vista a alma com esta fantasia, parte é suposição e parte é espelho. Vivemos assim... "A cabeça presa entre dois mundos'... Citando Milton Nascimento: "Somos crianças ao sol
A aprender a viver e a sonhar
E o sonho é belo
Pois tudo ainda faremos
Nada está no lugar
Tudo está por pensar
Tudo está por criar" "E o vento do teu sul É a semente de outra história
Que já se repetiu
A aurora que esperamos"
E que hoje vislumbro e admiro... exaltada!
Hoje, nesta carta, sou eu..
Mas tenha certeza...
...nós somos muitos!
Tudo de bom!
Melissa Mattos
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release
por Pedro Só
Os Engenheiros do Hawaii chegam ao décimo álbum de sua carreira, Minuano, sob o signo da inquietude. Obviamente, eles não são os mesmos. O guitarrista Luciano Granja e o baterista Adal fonseca, ambos integrantes do Humberto Gessinger Trio, foram cooptados para a nova formação da banda. Também foi importado do Sul e incorporado à trupe o tecladista Lúcio Dorfman último dos charruas na terra dos gigantes do rock brasileiro, Herr Gessinger comanda sua tribo num trabalho que sopra muitos palmos acima do rock embrutecido e lobotomizado que hoje domina o pais.
Em doze faixas gravadas no estúdio Mega, no Rio de Janeiro, sob a superaudição do produtor Nilo Romero, Minuano apresenta os Engenheiros num padrão de musicalidade superior. Com a nova força, foi possível experimentar com segurança uma diversidade de gêneros e ir adiante nas fusões (pra não dizer que não falamos nelas ... ) do idioma pop com o milongueiro. Mas a mais importante conseqüência dessa elevação de nível está na emoção. Sem falar em substâncias proibidas, usando duplos sentidos despidos de pornografia e lançando mão de algo que parece ter virado palavrão hoje em dia - lirismo - Gessinger está com as garras afiadas. "Deve haver alguma coisa que ainda te emocione", assim começa o disco, na faixa "Banco", um hillbilly miúra encorpado com um belo piano bonky tonky.
Minuano, originalmente um vento de gelar os ossos que sopra no Rio Grande do Sul, vira um veículo quente para a angústia sempre lúcida do compositor atingir em cheio o ouvinte. "A Montanha", primeiro clipe e canção lançada antes do álbum, via Internet, é pop existencialista sem sermão e sem respostas, que espeta o coração no brilho do violino de Kleiton Ramil e no solo de guitarra arrebatado. O conjunto de cordas de Lui Farias também eleva a baladona "Faz Parte" a alturas épicas "Devolva-me o que você levou /Ou leve-me contigo /Perca-se comigo", canta Humberto, novamente sublinhado por um belo solo de Kleiton. Outro convidado que se encaixa muito bem na nova engenharia é o guitarrista Billy Brandão (autor do hit "O último Dia", cantado por Paulinho Moska), presença em "Sem Problema".
"3 Minutos", movida por um poderoso riff de guitarra, bateria em primeiro plano, e uma profissão de fé na capacidade de expressão da canção pop: "Só acredito no que pode ser dito em três minutos". "Nuvem", a balada que vem a seguir, traz o piano "à John Lennon" que marcou sucessos anteriores dos Engenheiros. "Nove Zero Cinco Um" (prefixo de Porto Alegre, a cobrar), decorada com ruídos sampleados e sintetizador, introduz uma face mais pop do disco, que se acentua em "Alucinação", preciosidade que o grupo foi tirar do baú de hits do cearense Belchior. A letra tem imagens brilhantes e uma grande tirada - "amar e mudar as coisas me interessa mais" -, decorada com o piano de Carlos Trilha, parceiro de Renato Russo em seus discos solo.
"Deserto freezer" investe num amilongado/abolerado com distanciamento crítico que poderia muito estar no disco do Cake, elogiado grupo americano da nova geração. "A Ilha Não Se Curva" navega numa fronteira imaginária entre o Rio Grande do Sul e uma certa nação do Caribe, num contrafluxo ideológico que a faz mais "resistência" do que qualquer reggae assim intitulado.
O rock volta a bater forte nas duas últimas faixas, "Humano Demais", uma típica composição de banda (feita por Gessinger, Granja e Adal), e "Outros Tempos", com mudanças de andamento, convenções tipicamente progressivas e um órgão provavelmente surrupiado do rack de Keith Emerson ou Tony Banks (Genesis). Um final bem na contramão dos lugares-comuns, desprezando modismos e tendências, coerente apenas com a essência daquilo que os Engenheiros sempre foram.
Pedro Só
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