Entrevista com Humberto Gessinger - Blog Enghaw
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VII 2008
Engenheiros sempre foi uma banda que nunca dependeu da grande
mídia e com a notícia da pausa, ou fim da banda, houve uma
grande repercussão sobre o assunto, principalemente na internet.
Isso seria o reconhecimento da importância da banda, mesmo estando
fora da mídia?
Parar sempre é mais notícia do que continuar, infelizmente.
Se alguém morde um cachorro é notícia mas se o cachorro
morde alguém, não. Não sei se jornalistas têm
um código de ética. Se têm, muitos ignoram.
Um tempo atrás falei para uma revista que não usava drogas
( não que seja importante o que eu faço, mas é legal
abrir portas para além do estereótipo “sexodrogaseroquenrrou”
). Foi só uma frase em mais de uma hora de entrevista. E qual foi
a manchete? “Livre da Drogas” ! Como se eu fosse mais um ex-usuário.
Clichê total.
Outro dia fiquei meia hora “em off “ informando uma jornalista
sobre as novidades e a pausa da banda. Qual foi a chamada? “HG fala
sobre o fim da EngHaw “ .
Acho que estas pessoas perdem a credibiidade com o tempo e o próprio
mercado enterra elas. Mas que é um saco, é!
Por outro lado, o papel da imprensa é fundamental. Impossível
ficar o tempo inteiro em contato direto.
No Pouca Vogal, a parceria com o Duca Leidecker terá
set de quais instrumentos? guitarras, violas? E o rickenbacker volta pro
armário?
Há duas correntes esperando que as músicas definam qual
seguiremos. Uma seria continuar com instrumentos acústicos, viola,
violão, bandolim. A outra, usar sons bem específicos de
guitarra elétrica (wahwah, talk box, etc…) num ambiente de
duo. Neste caso, o baixo que está escalado para o projeto é
o Yamaha de 6 cordas. Eu uso ele de um modo bem particular, coloco 4 cordas
de baixo e duas de guitarra. Fica legal pra fazer acordes e usar e-bow.
Steiberger Doubleneck também tá na pista.
O Duca é bem mais desencanado do que eu em relação
ao formato. Eu sou um pouco obcecado com stória e instrumentos.
O pessoal que tocou comigo que o diga, hehehe.
Já tem alguma previsão de quando as novas composições
estarão acessíveis aos internautas?
Quando estiverem prontas. Mais algumas semanas. Novidades no www.engenheirosdohawaii.com.br
, www.poucavogal.com.br e www.poucavogal.com ( os dois últimos
em construção ).
HG, como esta sendo o processo de criação das canções
da dupla? Alguém fica mais na parte das letras e outro das melodias?
Nas parceirias que temos, por enquanto, eu fiz letra e Duca fez música.
Tem algumas que fiz sozinho pois este projeto tá na minha mente
há mais tempo.
Com os Engenheiros de férias por um período significante,
como fica os amigos da parte técnica - seguem contigo?
Gostaria de ter todos ao meu lado, mas por estar em PoA e eles no Rio
fica mais difícil.
Li na net que suas letras foram consideradas as mais inteligentes
e profundas do mundo segundo a revista Bilboard...
isso ficou esclarecido como boato de um Fã? O que vc acha de fãs
que inventam este tipo de noticias para engrandecer a banda
Passaram a perna na midia? Interessante… www tem este risco, né?
Anonimato…
o que vc acha dos fã(nático)s que o imitam dizendo
ser Gremista, que leem os mesmos livros, ouvem as mesmas mùsicas...
Talvez “imitar” não seja a palavra mais precisa. Todo
artista que mereça ser chamado assim cria um mundo. ‘E natural
que algumas pessoas se identifiquem e queiram passear por este mundo.
Como fã, eu sou assim. Gosto de entrar no mundo do Leonard Cohen,
Dylan, Joni Mitchell, Pena Branca & Xavantinho, Gildo de Freitas,
Chico, Gil, Zé Ramalho, Milton, Roger Waters, Thin Lizzy, Athaualpa
Yupanqui, Joaquin Sabina, Piazzolla. Minha vida seria bem mais cinzenta
sem estes passeios. Talvez eu tenha inconscientemente usado bigode por
causa do Phil Lynnot.
Isso me faz uma pessoa menos ou mais criativa? Não sei…
Se vc não tivesse nenhuma relação com a
banda Engenheiros do Hawaii, você se tornaria um fã da banda?
Se tivesse acesso à informação correta, sem dúvida.
Questão interessante. Muita gente da minha geração
tinha preconceito com a guinada dos 80… uns por virem da MPB, outros
pelo roque clássico.
Mas eu sempre tive minhas próprias idéias. Descobri Thin
Lizzy, Willie Nelson, Pena Branca & Xavantinho, Gaucho da Fronteira
e outros de uma de uma forma que não me era oferecida.
Acho que chegaria aos EngHaw, sim. Uma vez chegando, ficaria.
Em 2007, na entrega do prêmio Açoriamos o Duca e
você tocaram a "Força do Silêncio" pela primeira
vez. E aí, nós podemos esperar ela com PoucaVogal?
Sim, nos shows. Não gravaremos agora o que já foi gravado
por nossas bandas, só inéditas.
Em relação ao livro "O meu pequeno gremista",
sabe-se que a vendagem superou as expectativas da editora, muitos de seus
fãs até colorados, compraram o livro. Você consegue
perceber o quanto Humberto Gessinger é capaz de influenciar seus
fãs? Isso interfere de alguma maneira na sua vida particular???
Porque grêmio, não é engenheiros, mas os fãs
da banda esperaram anciosos por esse livro...
Eu consideraria um fracasso retumbante se o livro só pudesse ser
lido por gremistas. O próprio corte stórico que usei diz
respeito mais à minha stória do que a do Grêmio. As
paixões clubísticas são muito parecidas em todas
as cores e tempos. Há um terreno comum.
‘É difícil medir a intensidade do fã. Nem sempre
os mais barulhentos são os mais intensos. Pode ter alguém
quietinho, no fim da fila, tímido demais para chegar, que saque
tudo. Já vi muita gente fingir choro nesses anos todos, por incrível
que pareça. Tem também o tipo “te-amo-pra-sempre-te-odeio-te-amo-de-novo-te-odeio-outra-vez-agora-te-amo…”
.
HG, as suas respostas em entrevistas recentes estão menos
enigmativas que as do antigo chats que se realizavam nos dias 11 de cada
mês. Será que ta mais fácil pra você falar hoje
com os fãs, ou, será que ficou mais fácil para nós
o enteder?
Com o tempo o pessoal vai entendendo melhor meus códigos. E eu
vou entendendo melhor as perguntas. Nos chats a prioridade era rapidez
e espontaneidade. Talvez isso truncasse um pouco o papo. Mas era melhor
para a “vibe” que fosse assim.
HG, lá atrás, quando você não aceitou
participar da Homenagem ao Raul para a Bizz, foi por não estar
a fim mesmo (levando em conta que você gravou Treem das 7), ou foi
pra dar um vingadinha básica na revista que sempre criticava, criticava
e criticava os Engenheiros?
Não me lembro bem. Não deve ter sido vingança. Lembro
que houve um problema de liberação de músicas do
Raul para a Universal por conta de outros projetos. De qualquer forma
não tenho muito o que acrescentar como intérprete.
Humberto, você já disse em várias entrevistas
que BH é uma cidade que és mais bem recebido, ..é
um lugar que sempre lota os shows e canta todas as músicas. Mesmo
tendo dado um tempo nos Engenheiros, existe a possibilidade de a banda
(junto com você), ainda gravar um Disco/DVD em solo mineiro, uai?
O publico mineiro ainda pode esperar pela realização deste
sonho?
Seria legal. Rola um mistério mesmo na relação EngHaw-BH.
Nem eu entendo bem. Agora há outros polos pintando. A intensidade
está aumentando em vários lugares, fãs criando fãs,
num processo horizontal, muito bacana. BH foi pioneira.
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