Camaradas e companheiros versados e letrados nesta lida! A crônica estava falida, mas agora está morta... Morreu daquela generosidade torta com que tratou o esquisito e o deplorável, tentando aprisioná-los em conceitos palatáveis para os abomináveis leitores de domingo. A crônica morreu por omissão, ao circunscrever os fatos ocorridos em textos suaves, coloridos, doces e digeridos. Assim, morreu de indigestão na contramão desses tempos em que todos os sentidos são possíveis, especialmente os indecifráveis, indefiníveis ou condenáveis.
A crônica morreu porque era unanimidade, ainda que do ponto de vista da vaidade desses cegos em terras onde somente os funcionários públicos, modelos púbicos, banqueiros de apostas, bicheiros progressistas e diplomatas de carreira parecem ter um olho que presta. A festa da crônica era dourar pílulas e pregar peças enquanto a peste grassava e esmagava os ingênuos pedintes em prece. A crônica transava todos como saudáveis, simpáticos e simplórios enquanto até mesmo os menores espertos se consumiam em supositórios de cocaína, balões de oxigênio, bombas de gasolina e de hidrogênio, bem como nos tropeços capitalistas dos sonhos de grandeza das torres terroristas.
A crônica foi encerrada e embrulhada pela cômica, ou cômoda, tragédia dos acontecimentos. A crônica morreu tombada, como um velho muro burro que caiu, levou porrada e desistiu; porque insistia em ganhar o pão com o suor do realismo do paraíso enquanto era no inferno do deformalismo que se amassava a ilusão que engoliam e reviravam nos estômagos. O âmago da crônica sempre foi esse despeito, ou desprezo, pelo desterro e pela razia de nossa educação... A crônica perdeu função para a autocrítica enfática dos cadernos de economia, embuchou com a fina gastronomia dos gourmets comunistas, temeu a revolução dos artigos da política e se manteve em concentração nas reportagens futebolísticas, escrevendo por esporte e ingressos gratuitos nas tribunas da honra alheia... |