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Artigos |
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| edição 4 - Agosto 2005 |
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| E na ficção, tamanho é documento? |
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| por Alberto Mussa |
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| Natal no bordel (1904-05), de Edward Munch |
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Quantos autores jovens, que acabam de concluir sua primeira coletânea de contos, já não passaram pela experiência de ver a obra recusada por um editor?
Qualidade à parte, dentre as explicações pela recusa, o jovem contista tem normalmente de enfrentar o argumento de que o conto é, em si mesmo, um gênero difícil, que vende menos, que vende pouco.
O jovem autor pode acreditar na qualidade estética das suas narrativas, pode ter a seu favor a opinião entusiasmada de um ou outro escritor mais experiente ou consagrado, mas lhe parece impossível combater razões comerciais. E ele acaba por concluir que deve ser assim mesmo, que os editores, os livreiros, os críticos, enfim, que o circuito literário inteiro reconhece que o conto vende pouco, que vende menos que o romance.
Nosso jovem contista deve, então, se perguntar por que aquela antiga profecia sobre a "era do conto" nunca se concretiza. Por que, numa sociedade moderna, urbana, em que as pessoas não têm mais tempo para nada, em que há meios mais imediatos de atingir o consumidor de narrativas (como a televisão, o cinema, o computador), não é o conto o gênero mais adaptado - darwinisticamente falando - para perpetuar a literatura, a literatura tradicional, impressa em livro. |
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