Eu estava curiosíssima para descobrir quem exatamente Kate O\\'Beirne, editora da “National Review”, identifica como "as mulheres que fazem o mundo pior" no livro que ela acaba de publicar. Muito embora conjecturasse acerca de uma exaustiva lista de nomes teria ficado satisfeita se seu novo livro fosse apenas mais uma enumeração aleatória como o best seller de Bernard Goldberg, 100 People who are screwing up America [100 Pessoas que Estão Estragando os Estados Unidos].
O\\'Beirne lança seus petardos em alvos específicos (e previsíveis), porém, na maior parte, as mulheres de seu livro são mais uma lição de história do que uma real ameaça ao projeto conservador contemporâneo. Seu chumbo contra ícones como Betty Friedman, Gloria Steinem, Jane Fonda e Catharine MacKinnon faz a elas o grande favor de lhes dar importância novamente. E, é claro, toda vez que alguém recorda os feitos de Bella Abzug um anjo garante lugar no céu.
Nos capítulos sobre cuidados com as crianças, mulheres nas forças armadas, programas de atletismo e educação de mulheres, O\\'Beirne cataloga o excesso retórico (e por vezes legislador) dessas ilustres ativistas e algumas de suas menos proeminentes irmãs acadêmicas. Entre outras coisas, ela coleta argumentos contra a acusação de que as mulheres recebem menos do que os homens em empregos de "valor comparável". Somos também lembrados pela autora com freqüência de que há diferenças biológicas reais entre homens e mulheres. Estes são os maiores ataques de conservadorismo opinativo.
O´Beirne regurgitou porções inteiras de livros anteriores com argumentos semelhantes, em particular “The war against boys” [ A guerra contra os garotos], de Christina Hoff Sommers, e “Heterophobia” [Heterofobia], de Daphne Patai. Copiosas citações de “Taking sex differences seriously” [Levando a sério as diferenças de sexo], de Steven Rhoads, constituem a espinha dorsal de sua conclusão, intitulada “A Mãe Natureza é uma Droga”. As notas finais de O´Beirne deixam muito a desejar quanto a citar pesquisa original, mas são uma excelente bibliografia para quem estiver interessado na historia do antifeminismo moderno (ou já não tão moderno). |