Artigos
  
edição 21 - Janeiro 2007
O apaixonado plágio
por Milton Hatoum
Quando se fala em plágio, logo se pensa na apropriação indevida de uma idéia ou obra original. O dicionário Houaiss indica que o plagiário ou plagiador era também um ladrão de escravos: roubava-os para depois vendê-los. Ou seja, era um traficante de escravos.

No século XIX o plágio já era debatido e condenado por eruditos e cientistas. Mas durante muito tempo o demônio da citação não costumava indicar fontes: preferia um discreto e sorrateiro anonimato. Às vezes, quando um autor apropriava-se de idéias e palavras, não mencionava sua origem nem usava aspas no texto citado.

Hoje em dia a palavra plágio é tão ofensiva que soa como um palavrão. Há leis específicas de proteção de direitos autorais para punir um cientista, pesquisador ou artista plagiário. Até mesmo alguns ficcionistas têm a precaução de indicar no fim de sua obra a citação de um livro, de uma tradução ou letra de uma música. A mesma coisa acontece quando alguém usa sem autorização imagens e palavras em obras audiovisuais. São referências obrigatórias, sobretudo quando as obras citadas não caíram em domínio público.
1 2 3 4 »
Milton Hatoum é escritor, autor de Relato de um certo Oriente, Dois irmãos e Cinzas do Norte, com o qual conquistou os prêmios Jabuti, como o livro do ano na categoria ficção, e Portugal Telecom, em primeiro lugar