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edição 8 - Dezembro 2005
O capitalismo é amoral. Ainda bem
Filósofo adverte para o perigo de transformar o mercado em religião
por Oscar Pilagallo
Há muita conversa, hoje em dia, sobre responsabilidade social da empresa, sobre ética empresarial, sobre moral no mundo dos negócios. O que significa isso? Numa palavra: marketing.

O capitalismo, por natureza, não é moral. Nem imoral. Não é isso o que importa. O que importa é ganhar dinheiro, gerar lucro. Essa é a essência do sistema econômico hoje hegemônico. Outros aspectos são periféricos. O capitalismo é amoral.

Talvez não haja muita novidade nesse enfoque, mas num momento em que a defesa da moral empresarial virou um negócio lucrativo é oportuno o lançamento do livro do filósofo francês André Comte-Sponville, que desconfia do discurso que tenta camuflar o real propósito do capitalismo.

Antes de criticar Comte-Sponville, os empresários "socialmente corretos", para quem a idéia do amoralismo econômico causa desconforto, devem saber que o autor acha positiva a dissociação entre o mundo dos negócios e o da moral.
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Oscar Pilagallo é jornalista e autor de A História do Brasil no século 20 (em cinco volumes), O Brasil em sobressalto e A aventura do dinheiro, todos pela Publifolha.