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Artigos |
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| edição 0 - Abril 2005 |
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| Tentativa e erro |
| Autocrítica de Stephen Hawking leva Umberto Eco a refletir sobre certezas dogmáticas |
| por Umberto Eco |
Muitos leitores não sabem muito bem o que são os buracos negros, e sinceramente eu mesmo só me arrisco a imaginá-los como o Lúcio de Yellow Submarine, que devorava tudo ao seu redor e por fim engolia a si mesmo.
Mas, para entender a notícia em que me baseio, não é necessário saber mais, a não ser que os buracos negros são uma das questões mais controversas e cativantes da astrofísica moderna.
Li recentemente nos jornais que o renomado cientista Stephen Hawking (talvez mais conhecido do público em geral não tanto por sua descoberta quanto pela força e determinação com que tem trabalhado a vida inteira, apesar da sua terrível doença, que teria reduzido uma pessoa qualquer a um vegetal) fez uma declaração sensacional, para dizer o mínimo. Afirma que cometeu um erro ao enunciar nos anos 70 a sua teoria dos buracos negros, e agora se prepara para apresentar as devidas correções diante de um plenário de cientistas.
Para os que lidam com as ciências, não há nada excepcional nessa atitude, senão a reputação de que Hawking goza, mas entendo que o episódio deva ser levado ao conhecimento dos jovens de todas as escolas não-fundamentalistas e leigas, para que reflitam sobre os princípios da ciência moderna. |
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 | Umberto Eco é professor de semiologia da Universidade de Bolonha, na Itália, e autor, entre outros, de A misteriosa chama da rainha Loana, Baudolino, O nome da rosa e o pêndulo de Foucault |
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