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edição 20 - Dezembro 2006
Veredas que se bifurcam
O jardim de veredas que se bifurcam tem trama ardilosa, com técnica borgiana.
por Milton Hatoum
No prólogo ao livro Ficções (1944), Jorge Luis Borges escreveu: "Desvario laborioso e pobre o de compor livros extensos; o de espraiar em quinhentas páginas uma idéia cuja perfeita exposição oral cabe em poucos minutos. Melhor procedimento é simular que esses livros já existem e oferecer um resumo, um comentário".

De fato, ele ofereceu resumos e comentários valiosos sobre grandes romances e narrativas, como o Livro das mil e uma noites e Salammbô; comentou a prosa de Joseph Conrad, de Marcel Proust e de tantos outros. E até traduziu Palmeiras selvagens, de William Faulkner. Apesar de não ter escrito um livro extenso, Borges expôs num conto os procedimentos de como não escrever um romance.

O jardim de veredas que se bifurcam (1941) é um breve relato policial. Mas será apenas isso? A trama é ardilosa, e nela aparecem os temas e recursos técnicos borgianos: a citação de textos verdadeiros e apócrifos, uma argumentação sobre o livro e o labirinto, uma sondagem sobre a cultura chinesa, um diálogo entre o Oriente e Ocidente, uma reflexão filosófica...

Como não sou desmancha- prazer, não vou contar o fim, que é surpreendente e um dos mais notáveis da literatura policial.
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Milton Hatoum é escritor, autor de Relato de um certo Oriente, Dois irmãos e Cinzas do Norte, com o qual conquistou os prêmios Jabuti, como o livro do ano na categoria ficção, e Portugal Telecom, em primeiro lugar