As memórias de Václav Havel
Autobiografia de líder tcheco reconstitui, a partir de sua visão, os últimos anos de regime comunista
por Paul Berman
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To the castle and back por Václav Havel, traduzido para o inglês por Paul Wilson Alfred A. Knopf.383 págs,US 27,95
O novo livro do líder tcheco Václav Havel, “To the castle and back”, é um auto-retrato engenhoso, dissimulado e tocante, hábil e neuroticamente disfarçado como uma pilha pouco artística de notas secas rabiscadas e de panfletos descartados. Em um prefácio para a edição em inglês, Havel quase nos aconselha mesmo a não lermos o livro. “Se você ocasionalmente sentir que quer deixar o livro de lado porque ele parece evitar alguns dos eventos que sacudiram o mundo pelos quais passei ... eu o encorajo a pular adiante.” Mas não o escute.

Esses rascunhos fragmentários, se você os ler até o fim, lançam um tipo de luz estroboscópica que cintila de um intervalo de tempo para outro: Havel no presente, comentando o presente (dos diários de uma estadia em Washington em 2005, dois anos depois que ele deixara a presidência da República Tcheca); Havel novamente no presente, comentando o passado (de uma entrevista do tipo pergunta e resposta com um jornalista tcheco, que pergunta sobre a liderança de Havel sobre a Revolução de Veludo de 1989 e suas subseqüentes ações como presidente); Havel no passado, comentando o que então era o presente (dos diários de seus anos no cargo); e Havel em uma zona sem tempo, passado ou presente (de suas instruções para secretários e auxiliares, solicitando ação sobre tarefas domésticas e arranjos para jantares).

Ele comenta, com impassível espanto, a vida na América e sua superioridade frente a qualquer coisa em seu país, entre seus colegas tchecos: “Talvez isso não seja inteiramente preciso, mas até aqui tenho a impressão de que a política de Washington é povoada principalmente por cavalheiros que usam gravata o dia todo, que trabalham politicamente de manhã, depois têm um almoço político, depois trabalham politicamente de novo à tarde, para enfim irem do trabalho para algum tipo de jantar político. E, ao longo de tudo isso, eles se mantêm com boa natureza, calmos, elegantes e encantadores. Isso também se aplica a suas mulheres e às mulheres políticas. Por que será que nós, tchecos, estamos sempre tão atormentados? Sempre tão irritados?”
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Paul Berman é escritor. Publicou, entre outros, “Power and ideals”.