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| Desta vez, Cabul é feminina |
| “A cidade do Sol”, de Khaled Housseini, no prelo. Em novo romance, autor de “O caçador de pipas” troca o universo masculino pela abordagem dos infortúnios das afegãs |
| por Michiki Kakutani |
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Divulgação |
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| Khaled Housseini |
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Não é difícil entender por que o primeiro romance de Khaled Housseini, “O caçador de pipas” (2003), tornou-se um grande best seller, com base, principalmente, no boca a boca e em sua popularidade em clubes de livros e grupos de leitura. O romance foi lido como uma espécie de variante moderna de “Lord Jim”, de Conrad, no qual o herói passa a vida se redimindo por um ato de covardia e traição cometido em sua juventude. O livro não só deu aos leitores um olhar intimista sobre o Afeganistão e as dificuldades da vida ali, mas também exibiu os talentos narrativos acessíveis e antiquados do autor: seu gosto por tramas melodramáticas; personagens desenhadas de modo rígido, em preto e branco; e emoções elementares pesadas.
Enquanto “O caçador de pipas” tinha foco em pais e filhos e em amizades entre homens, seu último romance, “A cidade do Sol” previsto para ser lançado no Brasil, pela Nova Fronteira, no segundo semestre, está focado em mães e filhas e em amizades entre mulheres. Enquanto “O caçador de pipas” partiu de um começo cativante e tropeçou em artifícios e sentimentalismo em sua segunda metade, “A cidade do Sol” começa programaticamente e ganha velocidade e potência emocional à medida que vagarosamente se desenrola.
Como seus antecessores, esse novo romance retrata um vilão muito abominável e um melhor amigo quase santo que pratica um enorme ato de auto-sacrifício para ajudar o herói/heroína. Como seus antecessores, o livro tenta mostrar o efeito que a história violenta do Afeganistão produziu sobre um punhado de indivíduos, terminando em morte nas mãos do Talebã para uma personagem e na promessa de uma nova vida para outra. E, como seus antecessores, o romance contém algumas cenas artificiais embaraçosas que parecem arrebatadas de um filme B e algumas cenas tocantes que ajudam a redimir a história como um todo.
Housseini, que nasceu em Cabul e se mudou para os Estados Unidos em 1980, escreve em prosa direta e utilitária e cria personagens que têm a simplicidade e emoções em cores primárias de pessoas em um conto de fadas ou fábula. A simpatia que ele conjura para elas deriva menos de suas personalidades (o herói em “O caçador de pipas” era um covarde desagradável que falhara em vir ao socorro de seu melhor amigo) do que das circunstâncias nas quais se encontram: lidando com famílias infelizes, casamentos abusivos, governos opressores e costumes culturais repressores. |
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