Kerouac também era tradicional
“On the road” é um hino à falta de propósito, um antídoto ao que se pode chamar de “vício em encontrar uma razão, uma função, um produto quantificável” em tudo o que fazemos
por Matt Weiland
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The Lessons of ‘On the Road’ (They’re Not What You Think). John Leland 205 págs. Viking. US$ 23,95
Há vinte anos, como muitos adolescentes de 17 anos antes e depois de mim, devorei “On the road”, e ele me devorou. Eu me sentia ligado ao livro de um modo que não consigo acreditar hoje. Eu saía mesmo dirigindo à meia-noite pelos moinhos de trigo arruinados com o toca-fitas retumbando Dexter Gordon? Eu fui realmente a um baile do segundo grau vestido como Jack Kerouac?

Sei com certeza — porque existe prova — que, no ano em que me graduei, escolhi esse trecho do último parágrafo do romance como minha frase para o álbum do ano: “E ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a ninguém além dos trapos miseráveis da velhice”.

Na época que saí da faculdade, a magia do livro tinha começado a se esvair. No final daquele verão, um amigo sonhador me convidou para juntar-me a ele no Landmark Forum, sucessor da EST, os seminários em grupo “Nova Era” de Werner Erhard. Paramos sob um poste quase ao amanhecer e discutimos sobre isso: fazia uma grande diferença para ele; para mim, parecia uma retirada confusa do mundo. Eu tinha “On the Road” em minha mochila, como sempre fazia. Quando ficamos sem coisas a dizer, eu o dei a ele. Parecia que ele precisava muito do livro; pensei que eu não precisava mais.

Quem precisa dele agora? O repórter do “The New York Times” John Leland acha que todos nós precisamos. “Sob o selvagem dizer sim”, escreve Leland, “‘On the road’ é um livro sobre como viver a vida”. Leland é um agradável e, às vezes, um instrutivo guia para “On the Road”, abrindo seu caminho pelo livro para revelar o que ele chama de “lições” sobre trabalho, amor, arte e religião. Ele argumenta corretamente que o livro seja tanto sobre o livresco Sal como sobre o maluco Dean, que dor e alívio jazem no centro da história e que baixo orçamento e um senso de improvisação contribuem para uma boa vida.
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Matt Weiland é editor assistente da “The Paris Review”.

Veja também os textos Meio século do pé na estrada” e “O mito da liberdade”. E ainda. Os arquivos em pdf originais de 1957 do New York Times Reviews de “On the Road”: Gilbert Millstein | David Dempsey