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| Kerouac também era tradicional |
| “On the road” é um hino à falta de propósito, um antídoto ao que se pode chamar de “vício em encontrar uma razão, uma função, um produto quantificável” em tudo o que fazemos |
| por Matt Weiland |
[continuação]
Mas seus esforços para encontrar uma relevância contemporânea em “On the road” algumas vezes soam como paródia: “Quem são Sal e Dean se não dois homens urbanos sem pai, fichados pela polícia, entortam o inglês da rainha e ignoram amplamente as mães de seus filhos (no caso de Dean)? O que poderia ser mais hip-hop?” Essa é uma crítica literária profunda como uma anotação em um pit. E o livro inteiro é formulado na retórica de informe publicitário e livros de auto-ajuda. Ele escreve sobre a “dieta ‘On the Road’” e sobre “o plano de carreira do paraíso [de sal]” e encoraja os leitores a abraçarem essas lições do livro como “uma pirâmide para o sucesso”. Ele até apresenta esta máxima venerável: os “sete hábitos de pessoas altamente beat” de sal.
Mesmo assim, Leland constrói uma sólida argumentação em prol do que considera o conservadorismo essencial de Kerouac e argumenta que muito da amargura mútua entre os beatniks e Kerouac se enraizava nas crenças enganosas daqueles sobre o livro e o homem que o escreveu. “Por mais que saltem de cabeça no desconhecido, Sal e Dean são tradicionalistas, almejando conectarem-se com as velhas formas, não as matar”.
Seguindo a pista da descrição do romance por um cristão conservador, ele declara que “talvez o legado de Kerouac não seja Woodstock, mas o rock cristão”.
No final, tem-se a sensação de que o livro de Leland esteja deixando a estrada, em favor de tetos. O que importa sobre “On the road” é sua capacidade de insuflar o leitor a ter sempre a promessa da “terra selvagem”, o empurrão que ele dá para tirar alguém de sua cadeira para que veja o que está além do horizonte. |
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