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Kerouac também era tradicional
“On the road” é um hino à falta de propósito, um antídoto ao que se pode chamar de “vício em encontrar uma razão, uma função, um produto quantificável” em tudo o que fazemos
por Matt Weiland
[continuação]

Como diz Dean ao chegar a San Francisco: “Uau! Conseguimos! Deu certinho a gasolina! Dê-me água! Nada mais de terra! Não podemos ir adiante porque não tem mais terra! E sobre voltar para o Leste: “Vamos, sem parar — vamos agora! Sim!”

O livro é um hino à falta de propósito, um antídoto para o que John Fowles uma vez condenou como nosso moderno “vício em encontrar uma razão, uma função, um produto quantificável” em tudo o que fazemos.

“On the Road”, sobretudo, importa por sua música: seu triste e incansável murmurar. Nele, Kerouac aperfeiçoou um otimismo melancólico e um desejo por consolo mil vezes mais rico e sutil que o ranço lamentoso que pinga de muitos filmes e romances contemporâneos americanos.

É a dor amorosa nos escritos de Sherwood Anderson e Arthur Miller, nas vozes roucas de Jeff Tweedy e Paul Westerberg. Esse é o grande e duradouro apelo de “On the road”, a razão pela qual continuará a importar para leitores por outra metade de século ou mais. É a razão pela qual fico feliz de ter conseguido outra cópia, suas páginas já marcadas e sua lomabada quebrada — e é a razão pela qual eu não darei esta cópia a ninguém.
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Matt Weiland é editor assistente da “The Paris Review”.

Veja também os textos Meio século do pé na estrada” e “O mito da liberdade”. E ainda. Os arquivos em pdf originais de 1957 do New York Times Reviews de “On the Road”: Gilbert Millstein | David Dempsey