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| Meio século do “pé na estrada” |
| Obra de Kerouac se tornou indiscutivelmente o livro que os jovens de 1957 precisavam, mas o rolo esparso e despretensioso, versão original sem interferência dos editores, é a versão viva para nosso tempo |
| por Luc Sante |
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Reprodução |
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| ON THE ROAD The Original Scroll. Jack Kerouac. Howard Cunnell. 408 pp. Viking. U$ 25.95. |
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Em 1951, Jack Kerouac golpeou febrilmente o primeiro rascunho de “On the Road” [ no Brasil, traduzido para “Pé na estrada”], em três semanas, em um único e enorme rolo de papel.
Esse fato – acredite se quiser - garantiu seu lugar na lista heróica de combustões literárias espontâneas. Stendhal, para escrever “A Cartuxa de Parma”, levou 52 dias, por exemplo. Também se põe ao lado da imagem de Jackson Pollock — na série de fotografias tiradas por Hans Namuth apenas alguns meses antes do cerco de Kerouac à máquina de datilografia — derrubando e arremessando tinta sobre uma tela horizontal, manchando-a, lutando e dançando com sua obra em direção à existência.
Escrever não é visto usualmente como algo excessivamente físico. Por isso, alguns escritores sentem a necessidade de compensar com corridas de touros, ou com o que quer que seja, mas alimentar aquele rolo de papel de 36 metros com a máquina de datilografia parece um exercício de força. A maioria dos escritores simplesmente produz obras fracas em papel, pode-se dizer, mas Kerouac foi e lutou contra a árvore em si.
Ao contrário da lenda, o pergaminho não era um rolo de papel para telex, mas uma série de grandes folhas de papel manteiga que Kerouac cortou para servirem na máquina e juntou com fita, e o texto não está sem pontuação — mas simplesmente sem parágrafos, o que acarreta uma certa demanda física para o leitor, que é privado das pausas para descanso usuais. |
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