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| Meio século do “pé na estrada” |
| Obra de Kerouac se tornou indiscutivelmente o livro que os jovens de 1957 precisavam, mas o rolo esparso e despretensioso, versão original sem interferência dos editores, é a versão viva para nosso tempo |
| por Luc Sante |
[continuação]
Também contrário às idéias correntes, Kerouac, em admissão própria, abasteceu seu trabalho com nada mais que café. O rolo é um pouco mais longo que o romance como foi finalmente publicado em 1957, depois de três rascunhos subseqüentes convencionalmente formatados.
A diferença mais imediata entre o primeiro rascunho e o produto final, no entanto, é que, enquanto conhecemos “On the road” como um romance — o grande romance da geração beat — o rolo é essencialmente não ficção, uma memória que usa nomes reais e é muito menos autoconsciente literariamente. É uma peça escrita fascinante por suas bordas ásperas, e, despida de afetações que no romance, algumas vezes, beiram o ridículo, bem como de pontuação gratuita fornecida por editores mais devotados a regras que à música, ela parece muito mais imediata e mesmo contemporânea.
Em alguns aspectos, as diferenças são mínimas. “On the Road”, em todas suas versões, é a história de uma série de passeios através dos Estados Unidos feitos por Kerouac entre 1948 e 1950 — “passeios”, mais que “viagens”, porque se trata mais de “cobrir terreno”, seja de carona, em ônibus ou em carros roubados.
Os pontos cardeais são Nova York, Denver e San Francisco, com escalas em Nova Orleans, Vale de San Joaquin e, finalmente, no México. Os passeios, algumas vezes, são movidos a impaciência — se ao menos as Rochosas começassem no final do túnel Lincoln! —, mas, na maioria das vezes, Kerouac revela velozmente um meio extático, uma maneira de concentrar tanta experiência e tantos altos estéticos e espirituais quanto possível em uma semana ou menos. |
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