|
 |
|
 |
|
 |
|
 |
|
|
|
|
|
|
« 1 2 3 4 5 » |
| Meio século do “pé na estrada” |
| Obra de Kerouac se tornou indiscutivelmente o livro que os jovens de 1957 precisavam, mas o rolo esparso e despretensioso, versão original sem interferência dos editores, é a versão viva para nosso tempo |
| por Luc Sante |
[continuação]
Essencial à empreitada inteira é a relação de Kerouac com Neal Cassady (chamado Dean Moriarty no romance), que é uma das maiores personagens da literatura americana, sem necessidade de reparos imaginativos por parte do autor.
Um escritor especialmente sintonizado com uma idéia pode achar todos os meios necessários para sua concretização caídos pela rua. Kerouac, um garoto franco-canadense de Massachusetts, da classe trabalhadora, que ganhou uma bolsa para jogar futebol americano para a Universidade Columbia, mas decidiu antes de tudo que estava menos interessado em esportes que em escrever, tinha dado evidências de sua obsessão pela estrada tão cedo quanto 1940.
Encontrar Neal Cassady, no entanto, tornou possível para que ele escrevesse a resposta da metade do século XX a “Huckleberry Finn”.
Cassady, com sua necessidade de se mover, seu vasto entusiasmo e sua inclinação priápica insaciável, poderia ter saído da lenda do Velho Oeste. Que ele roubasse carros compulsivamente em vez de guiar carruagens e atingisse a iluminação em clubes de bebop em vez de em cabanas se deu meramente em função da história. Mas ele não era um primitivo, e era muito mais que um achado. Ele lia livros, escrevia cartas, às vezes, espetaculares e estava mais no topo do zeitgeist que seus admiradores da cidade grande. Ele nasceu um grande herói e amante eufórico do mundo e deu aos beats sua alma, salvando-os — mesmo que por pouco — de se engasgarem com seu próprio misticismo. |
|
« 1 2 3 4 5 » |
|
|
|
|
|
|
|
|