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| Meio século do “pé na estrada” |
| Obra de Kerouac se tornou indiscutivelmente o livro que os jovens de 1957 precisavam, mas o rolo esparso e despretensioso, versão original sem interferência dos editores, é a versão viva para nosso tempo |
| por Luc Sante |
[continuação]
No romance, ele insere “loucas por serem salvas”, enquanto os rojões se tornam “fabulosos” e estão “explodindo como aranhas pelas estrelas e no meio você vê o brilho azul estourar e todo mundo diz ‘Ahhh!’”
Preocupado quanto ao fato de que a dose possa ter sido pequena demais, Kerouac depois adiciona “como eles chamavam esses jovens na Alemanha de Goethe?” Nada desse tipo de poetização ansiosa se acumula no rolo, que apenas mantém sua cabeça baixa e corre e, por isso, é muito mais autêntico literariamente.
No rolo, o uso da palavra “sagrado” deve ser 80% menor que no romance, e as referências salmódicas da geração singular do autor estão reduzidas em, ao menos, dois terços; usos da palavra “beat”[que pode significar fatigado], nesse aspecto, claramente favorecem o exausto sobre o beato. Mesmo que tais coisas não auxiliem a lenda ou a marca Kerouac, elas ajudam, sem medida, o livro. O rolo esclarece a conexão deste com o passado — com Mark Twain e histórias de andarilhos e com Woody Guthrie e sagas de caubóis — e sublinha as características que ele comparte com seu parente cultural contemporâneo mais próximo, o grande livro de estrada fotográfico “The Americans”, de Robert Frank.
“On the Road” se tornou indiscutivelmente o livro de que os jovens de 1957 precisavam, mas o rolo esparso e despretensioso é a versão viva para nosso tempo. |
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