O homem por trás da turma do Charlie Brown
por Charles McGrath
Divulgação
Schulz and Peanuts – a biography David Michaelis. 655 págs, Harper/HarperCollins Publishers, US$ 34,95
Perto do fim de sua vida, Charles Schulz, criador da série A turma do Charlie Brown, quis ser Andrew Wyeth. Das mãos de Andrew Wyeth saía uma arte refinada, enquanto ele seria apenas um cartunista de jornal, um desenhista, cujo trabalho certamente não perduraria. Na verdade, há um número maior de pessoas que lêem até hoje os seus quadrinhos, em antologias e compilações, do que o de pessoas que já viram um quadro de Wyeth, e Schulz, pode-se argumentar, tinha mais talento do que o pintor.

O criador de Charlie Brown e de sua turma transformou as tiras de jornal, movimentadas e abarrotadas de imagens quando ele começou a trabalhar no final dos anos 40. Ao preenchê-las com espaços vazios e ao reduzir seus personagens infantis a traços quase abstratos – grandes cabeças circulares equilibradas sobre corpos diminutos –, tornando-as muito mais expressivas que os demais quadrinhos. A tira conseguiu registrar emoções adultas, como ansiedade, depressão, anseios, desilusões, que nunca haviam freqüentado os cartuns antes. Ao invés das onomatopéias "Bum!", "Pam!", "Pou!", que eram a língua franca dos quadrinhos, a nova série empregava um vocabulário menos estridente, e mais eloqüente: "Ouh!" e "Suspiro".

Todos adoravam as personagens: os mais transados e os garotos de faculdade (especialmente nos anos 60); os presidentes (certa vez, Ronald Reagan escreveu um bilhete de fã a Schulz, afirmando identificar-se com Charlie Brown); os astronautas da Apollo 10, que batizaram seus veículos orbital e de pouso com os nomes de Charlie e Snoopy; sacerdotes e pastores, que tiraram lições morais e teológicas das tirinhas; os engravatados de Detroit, que pagaram uma pequena fortuna para Charlie e sua turma fazerem propaganda do Ford Falcon.
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Charles McGrath É do Book Review.